17 abril 2007

Acho que é assim que tudo termina...

13 abril 2007

Você ligaria?

Hoje me deparei com uma notícia que, infelizmente, não é tão incomum: “criança morre depois de ser esquecida no carro” (Você pode ler a notícia aqui: Terra).

Não sei se a notícia é mais freqüente devido aos avanços na área das comunicações ou se os pais andam esquecendo seus filhos devido ao stress desse mundo moderno. Mas essas são indagações para outros dois textos. O que me chamou mais atenção nesse texto foi o seguinte:
“Como está de férias, ele retornou para casa e não teria lembrado que o filho estava no carro. Apenas depois de receber um telefonema da mãe da criança, o pai percebeu que havia esquecido o menino dentro do veículo.”
O que vou dizer agora pode ter acontecido tanto quanto pode ser somente minha imaginação.

A mãe chega no trabalho, sobe pelo elevador e senta-se na sua mesa. Enquanto liga o computador, olha para o lado e vê o porta-retrato com a foto da família. Pensa no filho. Em seguida pensa no marido.

Ele saiu de casa com sono. É um bom marido e um bom pai. Mas saiu de casa com sono. Ela pensa “será que ele lembrou que o bebê estava no carro?”

A idéia é absurda. Quem acredita em poderes da mente, acredite que foi um aviso parapsicológico, uma previsão, o que for. Na hora ela só pensou que era uma idéia absurda.

Computador ligado, começou a digitar seu relatório, fazer a planilha ou o que quer que fosse seu afazer. Mas entre um parágrafo e outro, a idéia voltava à mente. “Será que ele lembrou de tirar o bebê do carro?”

Balançou negativamente a cabeça, como se quisesse espantar as idéias. Levantou e foi ao bebedor. Bebeu lentamente um copo d’água. Por mais que fizesse, não conseguia tirar da cabeça aquela idéia maluca. E agora parecia que estava mais freqüente. E mais incisiva!

Voltando pra mesa encontrou uma amiga do trabalho. Na verdade nem era tão amiga assim, mas ela precisava falar com alguém. Era urgente colocar pra fora aquele pensamento antes que ele tomasse conta do cérebro inteiro, deixando-a louca. Se já não estivesse...

A nem-tão-amiga recém-promovida a confidente ponderou com a clareza de raciocínio que é impossível para um protagonista ter. Aconselhou que ela ligasse. O que tinha a perder?

E ela então ligou. Mas já era tarde demais...



Pode ser que essa história não tenha sido assim. Talvez ela tenha ligado na primeira vez em que pensou em ligar, só que tenha pensado tarde. Pode ser que ela tenha ligado pra saber se a empregada tinha lavado e passado o vestido que ela usaria à noite, aí perguntou se o bebê estava dormindo então o pai se lembrou.

Mas suponhamos que a história tenha acontecido da forma como narrei.
  1. Se ela liga rápido e o pai não tinha lembrado do bebê no carro, ele corre, tira o filho e todos ficam felizes;
  2. Se ela liga rápido e o pai tinha tirado o bebê, ele fica bravo por ter sido acordado (de novo), passa uns dias emburrado mas ainda consegue sorrir toda vez que embala o bebê nos braços. Depois voltam a ser uma família feliz;
  3. Se ela demora a ligar mas ele não havia esquecido o filho no carro... As coisas acontecem como no caso anterior;
  4. Se ela demora a telefonar e ele havia esquecido... Bem, foi o que aconteceu;
  5. Se ela não liga... Remorso pro resto da vida.
E você, leitor, o que faria? Espero que nunca se veja numa situação assim de tal gravidade, mas situações semelhantes acontecem cotidianamente em nossas vidas. O que vai fazer numa situação assim?

09 abril 2007

Distância

“Isso era o mínimo que eu podia fazer.
Embora fosse o máximo que dava pra fazer hoje, à distância.”

07 abril 2007

Cajuína

Há um mito de que Caetano tenha feito a música “Cajuína” para Teresina. Não é verdade!

A música foi composta pro Dr. Eli, pai de Torquato Neto. Ele, pessoa sensacional, humilde, simples, de uma amabilidade fenomenal, não lhe reclama que lhe tomem o que é seu de direito. E escuta contarem como verdade o mito falso de que a “Cajuína” é de Teresina.

Leia a letra da música, tente ver alguma homenagem a Teresina... Depois eu volto.

Cajuína
Caetano Veloso

Existirmos a que será que se destina
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina



Viu alguma coisa homenageando Teresina? Falou do Rio Poty? Da ponte metálica? Do encontro dos rios? Do Troca-troca? Não, né? Pois é... Não tem nada de Teresina.

No livro “Pra mim chega - A biografia de Torquato Neto”, Toninho Vaz conta:
(Em 1979,) Caetano compõe e grava Cajuína, escrita depois de uma visita a doutor Heli, em Teresina, que lhe deu a rosa pequenina colhida no jardim da casa, na Coelho de Resende. Sobre esse encontro, doutor Heli diria: “O rapaz chorou muito aquele dia”. (Edt. Casa Amarela - pág. 207)
Tá, você pode achar que não prova nada. Então, que tal as palavras do próprio Caetano Veloso?
Numa excursão pelo Brasil com o show Muito, creio, no final dos anos 70, recebi, no hotel em Teresina, a visita de Dr. Eli, o pai de Torquato. Eu já o conhecia pois ele tinha vindo ao Rio umas duas vezes. Mas era a primeira vez que eu o via depois do suicídio de Torquato.

Torquato estava, de certa forma , afastado das pessoas todas. Mas eu não o via desde minha chegada de Londres: Dedé e eu morávamos na Bahia e ele, no Rio (com temporadas em Teresina, onde descansava das internações a que se submeteu por instabilidade mental agravada, ao que se diz, pelo álcool).

Eu não o vira em Londres: ele estivera na Europa mas voltara ao Brasil justo antes de minha chegada a Londres. Assim, estávamos de fato bastante afastados, embora sem ressentimentos ou hostilidades. Eu queria muito bem a ele. Discordava da atitude agressiva que ele adotou contra o Cinema Novo na coluna que escrevia, mas nunca cheguei sequer a dizer-lhe isso.

No dia em que ele se matou, eu estava recebendo Chico Buarque em Salvador para fazermos aquele show que virou disco famoso. Torquato tinha se aproximado muito de Chico, logo antes do tropicalismo: entre 1966 e 1967. A ponto de estar mais freqüentemente com Chico do que comigo. Chico eu eu recebemos a notícia quando íamos sair para o Teatro Castro Alves. Ficamos abalados e falamos sobre isso. E sobre Torquato ter estado longe e mal.

Mas eu não chorei. Senti uma dureza de ânimo dentro de mim. Me senti um tanto amargo e triste mas pouco sentimental. Quando, anos depois, encontrei Dr. Eli, que sempre foi uma pessoa adorável, parecidíssimo com Torquato, e a quem Torquato amava com grande ternura, essa dureza amarga se desfez. E eu chorei durantes horas, sem parar.

Dr. Eli me consolava, carinhosamente. Levou-me à sua casa. D. Salomé, a mãe de Torquato, estava hospitalizada. Então ficamos só ele e eu na casa. Ele não dizia quase nada. Tirou uma rosa-menina do jardim e me deu. Me mostrou as muitas fotografias de Torquato distribuídas pelas paredes da casa. Serviu cajuína para nós dois. E bebemos lentamente. Durante todo o tempo eu chorava.

Diferentemente do dia da morte de Torquato, eu não estava triste nem amargo. Era um sentimento terno e bom, amoroso, dirigido a Dr. Eli e a Torquato, à vida. Mas era intenso demais e eu chorei. No dia seguinte, já na próxima cidade da excursão, escrevi Cajuína.
(Veja em http://oglobo.globo.com/blogs/moreno/post.asp?cod_Post=10886)

Agora, volte lá pro início do post e leia a letra, desta vez sabendo como foi feita.

Entendeu a letra agora? Então, faz um favor pro “homem lindo”, pai do “menino infeliz”: passe essa história pra frente.

31 março 2007

Preço e valor



“Um homem que se vende não vale o que lhe pagam.”

(Qualquer que tenha sido a quantia negociada.)


30 março 2007

O uso das aspas

Não, não é assunto de português não...

As duas manchetes, notícias e fotos abaixo são da Agência Reuters. Comparem as manchetes e as fotos, em seguida tirem suas conclusões sobre o que quiserem (imparcialidade da imprensa, maus tratos em Guantánamo, o fim da história ou a venda do pão francês a quilo).
  1. Prisioneiro de Guantánamo assume atentados de 11 de setembro

  2. TV iraniana mostra britânicos capturados e "confissão"



PS: Sou contra Guantánamo, contra algumas políticas dos EUA, contra o programa nuclear do Irã, contra a tendenciosa imprensa "neutra" (olha o uso das aspas de novo!!!) e contra a venda do pão francês a quilo.

22 março 2007

Te desejo uma história feia!

Grande parte das belas histórias de amor são tristes. Talvez sejam belas exatamente por serem tristes. Claro que é bonito ver um final romântico, com o casal de protagonistas se abraçando ao pôr-do-sol. Mas não é lindo. Não como “Romeu e Julieta”, nem como “E o vento levou...”, nem ao menos tão bonito quanto aquele filme que você viu no DVD ou na TV por assinatura ontem à noite.

Ontem estava lembrando de um dos mais belos clips que já vi: “All I Want Is You”, do U2. veja o clip clicando aqui. Não faz mal não saber falar inglês. Basta, talvez, saber que a tradução do título é “Tudo o que eu quero é você”. Vá ver e depois continuo.

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Viu? Observou como o anão era completamente apaixonado pela trapezista? Pensando em fazê-la reparar nele, em atrair-lhe a atenção e a devoção (e não somente a simpatia), resolveu deixar de lado o que sabia fazer e partir para algo completamente desconhecido, para a área da sua “amada” e do homem por quem ela era apaixonada: o trapézio. No final, a queda.

Não poderia ser diferente. Ele nunca havia treinado trapézio e além disso os aparelhos não estavam ajustados para sua altura, para o comprimento de seus braços, etc. Mas também não poderia ser diferente pois é isso que acontece sempre que deixamos de ser nós mesmos para sermos quem a pessoa amada quer que sejamos: a morte, figurativa ou real.

A história é linda pra quem está de fora. Só quem a vive sabe o quanto dói, o quanto se sofre. É lindo ver, em nome do amor, uma pessoa se humilhar, se abnegar, se suprimir, se dedicar, se anular.

É uma história linda exatamente por ser triste. Por isso mesmo, eu desejo, meu amigo, que todas as tuas histórias sejam feias.

Para saber mais sobre o vídeo e a música:
Vídeo - Making of - Letra - Tradução


20 março 2007

Fábula moderna

Autor desconhecido

Uma galinha achou alguns grãos de trigo e disse a seus vizinhos:
“Se plantarmos este trigo, teremos pão para comer. Alguém quer me ajudar a plantá-lo?”

“Eu não”, disse a vaca.
“Nem eu”, emendou o pato.
“Eu também não”, falou o porco.
“Eu muito menos”, completou o bode.

“Então eu mesma planto”, disse a galinha.
E assim o fez. O trigo cresceu alto e amadureceu em grãos dourados.

“Quem vai me ajudar a colher o trigo?”, quis saber a galinha.

“Eu não”, disse o pato.
“Não faz parte de minhas funções”, disse o porco.
“Não depois de tantos anos de serviço”, exclamou a vaca.
“Eu me arriscaria a perder o seguro-desemprego”, disse o bode.

“Então eu mesma colho”, falou a galinha, e colheu o trigo ela mesma.

Finalmente, chegou a hora de preparar o pão.
“Quem vai me ajudar a assar o pão?” indagou a galinha.

“Só se me pagarem hora extra”, falou a vaca.
“Eu não posso por em risco meu auxílio-doença”, emendou o pato.
“Eu fugi da escola e nunca aprendi a fazer pão”, disse o porco.
“Caso só eu ajude, é discriminação”, resmungou o bode.

“Então eu mesma faço”, exclamou a pequena galinha.
Ela assou cinco pães, e pôs todos numa cesta para que os vizinhos pudessem ver.

De repente, todo mundo queria pão, e exigiu um pedaço.
Mas a galinha simplesmente disse:
“Não! Eu vou comer os cinco pães sozinha”.

“Lucros excessivos!”, gritou a vaca.
“Sanguessuga capitalista!”, exclamou o pato.
“Eu exijo direitos iguais!”, bradou o bode.
O porco, esse só grunhiu.

Eles pintaram faixas e cartazes dizendo “Injustiça” e marcharam em protesto contra a galinha, gritando obscenidades.

Quando um agente do governo chegou, disse à galinhazinha:
“Você não pode ser assim egoísta.”

“Mas eu ganhei esse pão com meu próprio suor”, defendeu-se a galinha.

“Exatamente”, disse o funcionário do governo, “essa é a beleza da livre empresa. Qualquer um aqui na fazenda pode ganhar o quanto quiser. Mas sob nossas modernas regulamentações governamentais, os trabalhadores mais produtivos têm que dividir o produto de seu trabalho com os que não fazem nada”.

E todos viveram felizes para sempre, inclusive a pequena galinha, que sorriu e cacarejou: “eu estou grata”, “eu estou grata”.
Mas os vizinhos sempre se perguntavam por que a galinha nunca mais fez um pão.

10 março 2007

De quem é a culpa?

Vamos supor por 1 minuto (no máximo 2 ou 3, depende mais da sua velocidade de leitura) que eu me vendi a essa tese de que “a culpa é da sociedade”. Proponho esse raciocínio. Vamos ver a que conclusões chegamos...
  • A culpa é da sociedade? Ora, o conjunto de homens (coletividade) agrupados submeteu-se a um governo por um “contrato social” (veja obra de Jean-Jacques Rousseau) para que, cada um renunciando a um pouco de sua liberdade, pudessem viver em paz e em grupo.

  • Antes desse “contrato social” os homens viviam na barbárie, cada um tomando o que lhe aprouvesse de quem quisesse, valendo a lei do mais forte, na selvageria. Sociedade governo surgem simultaneamente, quando a coletividade resolve abandonar a barbárie.

  • O problema é que em alguns Estados (Brasil, entre eles), seus governantes não transformaram essas renúncias individuais em crescimento e progresso para toda a população. Por isso os menos favorecidos resolvem “pegar no tapa” o que (acham que) lhes é devido.

  • Por outro lado, o mesmo governante deve lembrar-lhes que renunciaram (sim!) a suas pretensões de resolver com as próprias mãos, sob pena de que haja a ruptura deste contrato social e cada um passe a agir de acordo unicamente com suas próprias pretensões e vontades e se reinstale a barbárie, com desordeiros, salteadores, milícias e justiceiros.

  • É isso o que já vemos começar a acontecer e que só tende a piorar. Assim que os homens (todos) deixarem de confiar na justiça estatal (o que está perto de ocorrer), voltaremos ao estado de barbárie. Por hora, apenas o lado “menos favorecido” cansou de esperar a “justiça social” e resolveu fazer justiça pelas próprias mãos. Logo será a vez dos ricos e poderosos se protegerem de forma mais agressiva.

  • Conclui-se que o governo deve agir na área da Segurança Pública com rigor ao invés de ficar esperando que as políticas sociais (e educacionais, se houvesse alguma) surtam efeitos, o que só ocorre a longo prazo.

Concluindo... A culpa da crescente violência e criminalidade não é, sob qualquer raciocínio que se use, da sociedade: A CULPA É DO GOVERNO.

09 março 2007

Eternas 3 da manhã

Falta tempo pra fazer tudo o que quero. Aí penso: “E se o tempo parasse?”

Então me proponho outra idéia. Digamos que o tempo tenha parado. Exatamente agora. E agora. E agora. Você não percebeu? Não! Claro que não, nem poderia. Uma personagem de filme percebe quando você coloca pausa (ou pause) no DVD e vai até a geladeira? Ou mesmo se você deixar 30 minutos ou 2 horas ela parada, no meio de uma frase. Ela não percebe! Continuará a frase no mesmo instante em que parou.

Acho que a vida é assim. Nossa existência está costurados ao passar do tempo. Não faz sentido pensar em parar o tempo. Talvez ele pare. Talvez ele tenha parado 15 vezes agorinha. Só que você não ganha nem perde nada: você nem percebe.

Acho que a vida eterna será, para nós, como se passássemos para “o lado de lá” da tela. Quando o tempo passará a não ter importância. A pergunta “quanto tempo dura a eternidade?” não fará sentido pois “tempo” não existirá. Assim como, para nós, o “tempo do DVD” não faz sentido algum.

O seriado 24 Horas demora semanas para passar, posso assistir um filme em câmera lenta ou em “PLAY x2”, posso voltar a determinada cena, posso avançar e ver logo o final, posso assistir de trás pra frente... Que sentido faz o “tempo do DVD” nas nossas vidas?

Já ouviu que “o tempo de Deus é diferente do tempo dos homens”? É do mesmo jeito, com a diferença de que o DVD dEle é bem mais avançado que o nosso.
PS: Tive a idéia de escrever esse texto de madrugada, enquanto acordava pra beber água. Curiosamente, ao abrir a página inicial da Wickpedia em (que todo dia apresenta uma matéria escolhida ao acaso) ela mostrava uma matéria sobre o grupo musical KLF, cuja música de maior sucesso foi provavelmente “3 AM Eternal”. Achei que era uma boa idéia para o título dessa postagem.

01 março 2007

A culpa é sua

Transcrevo um texto do Blog La Fúria de Ocram

“Da próxima vez que você ligar a televisão e ver que um ônibus foi incendiado com pessoas vivas dentro, saiba que a culpa é sua. Da próxima vez que ver um bando de “oprimidos pela sociedade” arrastarem uma criança por 7km, saiba que a culpa é sua. Da próxima vez que você ver a Presidente do STF, que foi assaltado no mesmo Rio de Janeiro, no mesmo mês onde 9 pessoas morrem vivas e não sofreu um arranhão sequer dos criminosos e ainda pr cima levou uma bronca por não ter requisitado seguranças,saiba caro leitor, que agora ela, a mesma Presidenta do STF que considera não haver necessidade alguma de mudança de legislação criminal, agora, agorinha mesmo ela aceita sem a maior cerimônia a segurança particular.

E se você considera isso um ato normal, legítimo e decente de uma pessoa que não vê necessidade alguma para mudanças, que isso é normal para uma pessoa com um alto posto no país, caro leitor, a culpa é sua.Essa sim uma culpa de verdade. Calar nessa hora é culpa completa ao assumir sua incapacidade para contestar qualquer coisa. Isso mesmo, caro leitor, é culpa sua.”

Vale a pena ler o texto completo em http://ocram.wordpress.com/2007/02/28/as-ongs-do-crime-suas-ongentalhas-e-o-pulhador

23 fevereiro 2007

Confiança

Confiança (s.f.): Acreditar que algo está em mãos tão boas (ou até melhor) do que se estivesse consigo.

Precisa-se de mais que palavras

“Como pode um homem satisfazer-se com apenas ter uma opinião e deleitar-se com ela? Haverá nela algum deleite se sua opinião for a de que se sente lesado? Se teu vizinho te rouba um único dólar, não te contentarás em saber que foste roubado, ou em dizer que o foste, nem mesmo em pedir que ele pague o que te deve, mas tomarás providências efetivas para obter de volta toda a quantia e, ao mesmo tempo, para que não sejas novamente roubado.”
(Henry David Thoreau, in “A Desobediência Civil”)

31 janeiro 2007

Saudade

Saudade (s.f.): Impressão de estar perdendo preciosos momentos ao lado de pessoas queridas.

30 janeiro 2007

Delitos e direitos

Enquanto os juristas discutem suas teorias sobre a criminalidade, os cidadãos comuns honestos e os criminosos habitam o mundo real. Recentemente li um livro sensacional (que se fosse só pelas três transcrições abaixo já fazia por merecer a leitura).

“Os anos 60 e 70 foram um ótimo período para os bandidos urbanos na maioria das cidades americanas. A possibilidade de punição era tão pequena - esse foi o auge do sistema judicial liberal e do movimento pelos direitos dos criminosos - que não se pagava muito caro por cometer um crime.” (Freaknomics, de Steven D. Levitt & Stephen J. Dubner, página 113)

“Ao longo da primeira metade do século XX, a incidência dos crimes violentos nos Estados Unidos foi, de maneira geral, bastante constante. No início dos anos 60, porém, eles começaram a aumentar. Olhando para trás, é claro que um dos principais fatores a alimentar essa tendência foi um sistema judicial leniente. O índice de condenações caiu durante a década de 1960, e os criminosos condenados cumpriam penas menores. Essa tendência se instalou devido, em parte, à expansão dos direitos dos acusados - expansão essa, segundo alguns, há muito esperada (outros argumentam que ela teria ido longe demais). Enquanto isso, os políticos mostravam cada vez mais complacência em relação aos criminosos - “por medo de parecerem racistas”, como escreveu o economista Gary Becker, “já que os afro-americanos e os hispânicos são responsáveis por uma parcela desproporcional de delitos”. Assim, alguém inclinado a agir de forma criminosa contava com incentivos a seu favor: uma possibilidade mais remota de ser condenado e, caso o fosse, uma pena mais curta como punição. Tendo em vista que os criminosos reagem como qualquer outra pessoa a incentivos, o resultado foi uma escalada da criminalidade.” (idem, página 124)

“São muitos fortes os indícios que vinculam o endurecimento da punição com os índices mais baixos de criminalidade. Penas duras se revelaram ao mesmo tempo inibidoras (para o criminoso potencial em liberdade) e profiláticas (para o criminoso potencial já preso).” (idem, página 125)

Infelizmente, o bom senso parece ser artigo raro e os governantes, os legisladores e os juristas brasileiros parecem acreditar que nossos criminosos são melhores que os de lá. Havia outrora a crença do bom selvagem. Agora nos deparamos com a crença do bom bandido. “Papai não vai te deixar de castigo, mas bebê promete se comportar, tá bom?”

Acredita-se que o crime é fruto das desigualdades sociais e o criminoso é vítima da sociedade. Assim, fica o bandido “vítima” solto e a sociedade “culpada” presa com grades nas janelas e cercas elétricas nos muros cada vez mais altos, andando em carros blindados e sob escolta de seguranças, temendo cada vez mais por sua vida.

29 dezembro 2006

Fases da vida 2

Quando criança, o filho acha que o pai é um super-herói e quer ser igualzinho a ele.
Na adolescência, o filho acha que o pai não sabe de nada e quer ser qualquer coisa no mundo, menos uma cópia dele.
Um dia o filho percebe que o pai é, sim, um super-herói, pois fez o melhor que podia com o que tinha à mão. E daria tudo o que tem na vida para conseguir, ao menos, ser metade do que o pai foi.

PS1: Alguns só percebem isso quando não podem mais desfrutar da companhia deles.
PS2: Esse texto vale para filhos e pais e também para filhas e mães.

Fases da vida 1

A criança não sabe que é alguém, não tem consciência de si.
O adolescente sabe que é alguém, mas ainda não sabe quem é.
O adulto sabe que é alguém e, além disso, sabe quem é.
A adolescência é, portanto, a fase da vida entre a percepção de que se é alguém e a descoberta de quem se é.
(E daí vem a necessidade de auto-afirmação, ruptura de paradigmas etc.)

28 dezembro 2006

Como dizia Aristóteles...

Todos conhecem a história do mentiroso que soltava sempre a frase “Como dizia Fulano...” (e esse Fulano era sempre alguém importante: Shaekespeare, Sócrates, Kubitschek, Gandhi, Lennon, cada vez era um diferente). Depois, o Pinóquio soltava a frase que ele mesmo tinha inventado.

Um dia, soltou-se a mentir e a inventar e por fim arrematou: “Como dizia São Francisco...” e blá-blá-blá. Um dos ouvintes, devoto do Santo, não conhecia a frase e resolveu perguntar: “E São Francisco disse isso?” O contador de lorotas não se fez de rogado. Simplesmente disse “Se não disse, deveria ter dito!”

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Assim parece ser a Internet... Já recebi textos de Einsten, Drummond, Fernando Pessoa, Madre Teresa, Arnaldo Jabor e tantos outros que eu tenho certeza que não foram escritos por eles.

Tem texto falando de Deus escrito por ateu, tem texto sem pé nem cabeça “assinado” por escritores de qualidade universal, tem texto tratando de assunto fútil “redigido” por cientistas ocupadíssimos... Tem até texto que fala de poluição “escrito” por Sócrates (e eu nem sabia que a Grécia era poluída naquela época!)

“Quem conta um conto, aumenta um ponto”, já dizia Aristóteles
(E se não disse, deveria ter dito)

23 dezembro 2006

O “Se...” do canalha nacional (texto de Arnaldo Jabor)

SE PUDERES MANTER a cabeça erguida, quando todos te acusarem, chamando-te de “ladrão” ou “corrupto” por te terem pegado com a mão dentro da cumbuca,

se mantiveres a aparente dignidade, mesmo diante de provas inabaláveis do teu crime e disseres com voz calma e serena: “Tudo isso é uma infâmia sórdida de meus inimigos”, ou ainda: “Não me lembro se esta loura de coxas douradas foi minha secretária ou não...”,

se disseres isso sem suar, sem desmanchar a gravata, com roupas impecáveis que não revelem o esterco que te vai dentro d’alma, se fores capaz de chorar diante de uma CPI, ostentando arrependimento profundo, usando de tudo, filhos, pais, pátria, tudo para te livrar... e, sobretudo, se puderes construir uma ideologia que te justifique e absolva, de modo que os atos mais sujos ganhem uma luz de beleza e coragem, se puderes dourar tua pílula, colorir teus crimes, musicar teus grunhidos, de modo que possas mentir com fé, trair sem remorsos e roubar com júbilo,

se puderes crer, por exemplo, que tens direito de roubar o povo para vingar uma infância pobre, ou de que roubas por teres sido injustiçado por pai severo ou porque tua mãe foi lavadeira e prostituta para pagar teu diploma fajuto de business administration, se acreditares mesmo que tens direito de superfaturar remédios de criancinhas com câncer porque também sofreste como menino comido por garotão mais forte no porão da tua infância (dor e delícia sempre negadas por teu machismo compensatório),

se, no fundo do coração, achas que roubar o Estado ou os estados ou as prefeituras ou os camelôs ou os lixeiros ou os mendigos é, portanto, uma causa nobre e um ato quase revolucionário, que a mutreta, a maracutaia, a “mão grande”, o “apaga-a-luz” o “me dá o meu aí” têm algo de transgressão pós-moderna, algo de Robin Hood para si mesmo, como dizes, soltando a piada “ah-ah, roubo dos ricos para o pobre aqui... ah-ah”,

ou se, por mais político ou ideológico, disseres a ti mesmo que roubas porque, “neste fim de século, a globalização da economia e o imperialismo nos assaltam” e que tu tascas antes deles, num ato nacionalista tipo “antes eu do que eles”,

ou se te orgulhares de ter instaurado a gorjeta, a mixaria, o serviço de 25% (pois, como dissestes, “10% é para garçom”) enquanto enfias a língua na orelha da lobista gostosa ao teu lado no Piantella, de porre e feliz,

ou se justificares tua fortuna escrota por motivos mais científicos, invocando Darwin ou Spencer, declarando que o animal humano sobrevive pela agressão e competição (survival for the fittest) e que, portanto, assim como o chimpanzé ataca o mico leão ou como o jacaré come o veado ou como a fêmea do louva-a-deus o devora como uma Nicéa enlouquecida ou como a formiga escraviza pulgões e rouba-lhes o leitinho, também cumpres a ordem natural das coisas, concluindo com erudição: “Roubo sim, pois isso está inscrito no genoma dos hominídeos há 50 milhões de anos”,

ou ainda se, mais metafísico ou filosófico, contemplares o crepúsculo e lamentares melancolicamente que “acabou o tempo das utopias...” ou “a vida é uma ilusão dos sentidos” e, portanto, “roubo sim e caguei...”,

ou ainda se, num gesto de infinita superioridade existencial ou literária, invocando Villon ou Jean Genet, assumires tua fisionomia de rato ou de preá, tua carinha embochechada por anos de uisquinhos, licores, pudins, babaganuches, se te orgulhares de tua esperteza e, de cuecas diante do espelho, enquanto a amante se lava no banheiro, berrares com júbilo: “Eta garoto bão, espertalhaço!”, ou seja, se diante de si e do mundo, puderes enfunar a barrigona cheia de merda e dizer: “Sou ladrão sim, mas quem não é?” ou “Podem me acusar, mas quem tem este Renoir?”,

se puderes cultivar todos esses méritos, se puderes justificar com serenidade tua vida de estelionatos, pequenos furtos, orelhas de traficantes ou até mesmo de esquartejamentos com motosserras (“Esquartejo sim, mas por bom motivo...”), se puderes fazer tudo isso, confiante nos teus advogados sempre alertas como escoteiros na pilhagem nacional, confiante na absoluta conivência de rituais jurídicos que sempre te livrarão da cadeia, enquanto os pardos pobres apodrecem nas celas com aids e “quentinhas” superfaturadas,

e se, além da confiança na cega Justiça, dos desembargadores que sempre te acolherão, se, além desse remanso, desse consolo que te encoraja, roubares mesmo, no duro, por amor à causa, por paixão, por desejo sexual, pelo bruto tesão de acumular o máximo de dólares para nada, pela fome de lanchas, jatos, putas, coberturas, Miami, Paris, e se, com fé e coragem, reconheceres esse prazer com orgulho e sem remorsos, então, eu te direi, com certeza, que vais herdar a terra toda com todos os dinheiros públicos dentro e, mais que isso, eu te direi que serás, sim, impune para sempre, um extraordinário canalha, meu filho, um verdadeiro, um grandioso filho-da-puta brasileiro!

07 dezembro 2006

Turistas

Recebi algumas vezes uma mensagem pedindo para boicotar o filme estadunidense TURISTAS.

De acordo com a mensagem:

1. O filme conta a história de 6 jovens americanos que vêm ao Brasil de férias. Chegando aqui tomam uma caipirinha com “boa noite cinderela”...
    • Qual a mentira? Todos os dias isso acontece nesse nosso país. Quem duvidar, vá até a rodoviária da sua cidade e veja. Vira e mexe chega alguém completamente “dopado” e fica lá no setor de desembarque, esperando acordar pra se dar conta de que foi assaltado.
2. ... são assaltados, seqüestrados, torturados e por fim têm os órgãos roubados por traficantes da indústria negra dos transplantes.
    • Tá certo, exageraram um pouco... Mas tenho certeza de que chegaremos a isso se não começarmos a pensar no combate à violência de forma séria e não nesse teatro que as autoridades montam toda vez que tem algum caso grave e principalmente nos períodos eleitorais. Quantos casos ainda teremos até que se faça algo sério? Se não nos cuidarmos, chegaremos a este estágio e ao invés de “terror”, o filme passará pra prateleira de “documentário”.
3. ... a EMBRATUR já está tão preocupada com a péssima repercussão do filme lá fora que, temendo uma queda brusca na receita do país vinda do turismo internacional, já está preparando campanhas intensas para serem veiculadas lá fora e tentar minimizar os estragos.
    • Por partes... A Embratur está preocupada? Tem mesmo que estar. Eu queria que a polícia se preocupasse, que o presidente se preocupasse, que as autoridades do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, Federais, Estaduais e Municipais, queria que eles se preocupassem. A Embratur tem que se preocupar com os folhetos das agências de turismo que ao falarem das belezas naturais mostram sempre uma mulata de fio dental em alguma praia, ou então desfiles carnavalescos de seminus (ou nus, mesmo). Deveria se preocupar com a infra-estrutura que não há para receber turistas que serão maltratados e nunca voltarão e ainda convencerão outros a não virem.
    • Outro ponto: receita vinda do turismo internacional? Qual? O Brasil, o PAÍS inteiro recebe menos turistas que várias CIDADES do mundo. O nosso PAÍS perde pra Paris, Barcelona, Veneza, Roma, Nova York e várias outras CIDADES. Receita do turismo internacional? Fala sério!
4. Só para se ter uma idéia, o trailer começa com a frase: “Num país onde vale tudo, tudo pode acontecer!”
    • E qual a mentira mesmo? Aqui não vale tudo? Vale compra de reeleição, mensalão, valerioduto, CPIzza, jeitinho brasileiro, PCC... Aqui, camaradas, VALE TUDO e aí, TUDO PODE ACONTECER. A fama do brasileiro é essa mesma, de corrupto, malandro, de quem acha que vale tudo: de furar fila a roubar na hora de pagar a conta. Qualquer brasileiro que viajar ao exterior experimentará a desconfiança dos funcionários de hotéis, parques e lojas.
Não vou assistir esse filme porque é terror e, pra aterrorizar, bastam os jornais. Mas não vi nada de mais na história do filme, só a realidade.

É engraçado... Falou mal do Brasil, todo mundo se dói, mas CONSERTAR o que está errado, ninguém quer. O caráter nacional é esse mesmo... Furar fila, furar sinal vermelho, jeitinho brasileiro. Você pode até não fazer, ser correto e tal. Mas, como povo, somos sem caráter.

Gente que pensa assim (além de mim, do Scotch e da Alesya):
Bruno Alves
Tarja Preta