27 junho 2007

Paciência e perseverança

Sentada no parque, serena. O Sol lança seus raios por entre as árvores, mas ainda assim o frio é cortante.

Nem o Sol, nem o frio a incomodam enquanto ela espera. Espera o quê? Não sei. Pode ser um amigo, pode ser um amor. Um parente? Um pensamento? Talvez somente a hora de ir pra casa.

Percebo que está tranqüila. Aproveita o tempo para refletir ou para observar o movimento. Talvez os olhos procurem discos voadores no céu...

Não sei o que ela aguarda, mas sei que é importante. Pacientemente espera e sabe que uma hora o que espera vai chegar. Nem o Sol, nem o frio lhe impedirão de ser feliz.

13 junho 2007

Um dia especial

Aleste, Scotch e eu decidimos fazer um Dia dos Namorados diferente.

O dia começou como todos os outros começam, não sei pra que tanto espanto. O Sol nascendo e me acordando aos poucos, mas não tudo. E o despertador terminando o serviço num susto que me fez pular da cama. Nenhuma cesta de café da manhã, nada de flores, nem chocolate ou presente algum. Nem podia ser diferente.

Ao contrário de outros anos em que ou estava namorando neste dia ou ficava de mal-humor (e algumas vezes as duas coisas), este ano estava bem. Só e bem, obrigado!

Durante o dia, um ou outro “Feliz Dia dos Namorados!” desejado por alguém (na maioria das vezes pra tirar onda mesmo) e aqui e acolá um bem humorado “já ganhou presente? tem até meia-noite pra arrumar quem te dê”.

No fim da tarde comentei com Aleste e Scotch.

Se o clima “romântico” (leia-se “comercial”) não nos contagiou pra ficarmos alegre, muito menos a ausência de ter com quem compartilhar essa data nos deixou triste.

Aliás, essa foi a grande sacada do dia. Estávamos sós e bem. Resolvemos que íamos fazer algo para comemorar e assim fizemos:

À noite fomos para um barzinho e tomamos vinho e conversamos muito. Não foi uma reunião de pessoas tristes com dor de cotovelo. Muito ao contrário, estávamos deveras felizes!

Se o dia é dos namorados, com muito mais propriedade o é dos verdadeiros amigos. É o dia do amor e se chamam de “amor” o relacionamento entre um homem e mulher que hoje estão juntos e amanhã nem se falam, com muito mais propriedade então o dia é de amigos que se amam realmente.

PS: Alguns rapazes tiveram (muita) inveja do Scotch. Várias pessoas tiveram dificuldades de entender duas mulheres e um homem na mesma mesa no dia dos namorados tomando vinho, conversando e sorrindo. Para elas, é difícil entender uma amizade verdadeira, desinteressada, principalmente entre pessoas de sexos opostos.

29 maio 2007

A causa dos problemas do Brasil

Boa parte dos problemas ditos sociais no Brasil decorre, acreditem, da degeneração de costumes, da falta do respeito básico e elementar do marido por sua mulher, da mulher por seu marido, do casal por seus filhos, dos filhos pelos pais. Isso em qualquer classe social, tenham as pessoas a escolaridade que for.”
(Reinaldo Azevedo - 29/05/2007 in “Reinaldão, um feminista, Renan e o que diria Cícero”)

Fonte: http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/2007/05/reinaldo-um-feminista-renan-e-o-que.html

19 maio 2007

ATÉ QUANDO?

Maiakovski, poeta russo, foi assassinado “suicidado” após a revolução de Lênin, no início do século XX. Eduardo Alves da Costa, fluminense, escreveu uma poesia chamada “No caminho, com Maiakovski” (publicada em 1985 em livro homônimo) que diz assim:

«Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão. E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.»
[
Eduardo Alves da Costa (1936 - ...) - explicação e poesia completa aqui]

Bertold Brecht, cujo texto mais conhecido se chama “O Analfabeto Político” (e está nos comentários do post “Valores”), escreveu:
«Primeiro levaram os negros, mas não me importei com isso; eu não era negro.
Em seguida levaram alguns operários, mas não me importei com isso; eu também não era operário.
Depois prenderam os miseráveis, mas não me importei com isso, porque eu não sou miserável.
Depois agarraram uns desempregados, mas como tenho meu emprego, também não me importei.
Agora estã
o me levando, mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém, ninguém se importa comigo.»
[Bertold Brecht, (1898-1956)]
Martin Niemöller, símbolo da resistência aos nazistas, escreveu em 1933, sobre a inatividade dos intelectuais alemães sobre a subida dos nazistas ao poder e eliminação de seus adversários, grupo após grupo:

«Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram
e já não havia mais ninguém para reclamar.»

[Martin Niemöller, (1892–1984)]


Cláudio Humberto publicou um texto inspirado nestes:
«Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima,
Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles;
Depois fecharam ruas, onde não moro;
Fecharam então o portão da favela, que não habito;
Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho...»
[Cláudio Humberto, em 9/Fev/2007, aqui, sob o título “Realidade paralela no Rio”]


O incrível é que por mais que uns e outros falem, continuamos desamparados, inertes e submetidos aos caprichos da ruína moral dos poderes governantes, que vampirizam o erário, aniquilam as instituições, e nos deixam, como meros cidadãos, apenas os ossos roídos e o direito ao silêncio ― porque a palavra, há muito se tornou inútil…

― O QUE ESTAMOS FAZENDO, E, ATÉ QUANDO?

Control+C, Control+V

Não gosto muito de copiar idéias de outros e muito menos as postagens dos outros blogs. Mas vá lá, às vezes alguém fala algo tão perfeito que não há como reescrever ou o que acrescentar. E às vezes é tão pertinente que não resisto à vontade de colocar no meu blog. Então fui em http://torneimeumebrio.blogspot.com/2007/04/at-quando.html, copiei (Control+C) e colei (Control+V).

Deixei um comentário lá pedindo autorização. Se ele não deixar, depois eu apago.
--------------
Update: tive que corrigir algumas coisas e o texto ficou diferente. Vê, sempre há o que reescrever ou acrescentar.

12 maio 2007

Valores

Nossos governantes deviam agir com respeito aos valores de ética, moral e honestidade.


Infelizmente a maioria deles só entende de valores acima de seis dígitos.

04 maio 2007

Para uma amiga (com quem tive a felicidade de trabalhar)

Nenhum homem, por mais fé que tenha, conhece os desígnios de Deus para sua vida.

O homem temente a Deus faz o que acha certo na sua vida, pedindo orientação divina, mas esta nem sempre é clara.

Por vezes teimamos naquilo que achamos correto, justo e bom. Sem resultado.

Isso acontece porque nossa vontade é oposta à dEle. Não por ser pecado, não por ser errada (poderia ser, mas não neste caso). Simplesmente Ele tem algo melhor a nos oferecer, então não permite que nossos desejos prevaleçam.

Fazemos o quê? Esperamos sentados que Ele revele Sua vontade, em atitude de contemplação? Não, de forma alguma! Tentamos de todas as formas realizar nossos sonhos, já que não temos como saber Seus desígnios.

Quando nossos esforços quedam em vão, finalmente a Sua vontade pode se concretizar, realizando em nossa vida o que Ele nos reservou.

O que é? Não sei. Mas essa é a única vantagem de ter fé nesses casos: aceitar que nossos esforços foram infrutíferos, embora sinceros, e aguardar pacientemente que o bem maior se revele em nossa vida.

Boa sorte, amiga. Estamos torcendo por você, confiando que a sua felicidade não tardará.

“O coração do homem propõe o seu caminho; mas o Senhor lhe dirige os passos.”
(Provérbios 16:9)

03 maio 2007

Futuro

_Oi, você nem falou comigo...
_É... Sabe, eu não posso te esperar para sempre.

_Eu sei... Mas eu não posso te dar nada. Pelo menos não agora.

_Você acha mesmo isso?

_Eu tenho certeza. Você merece mais do que tenho a oferecer.

_Não me venha com essa conversa de merecimento!

_Sério. Você precisa de mais do que tenho a oferecer.

_Se você acha isso...

_Eu sinto isso. E sinto muito também.

_Tá...

_Foi bom.

_O quê?

_Como assim?

_O que é que foi bom?

_Isso. O que vivemos.

_Mas não vivemos nada!

_Vivemos. Um sonho, se não mais.

_É, foi. Um sonho. Foi bom. De alguma forma, foi.

_Você acha que ainda temos chance?

_Não sei. Não gosto de pensar no futuro. Não costumo planejar nada. E o futuro a Deus pertence, não é?

_É verdade. E o futuro é cheio de possibilidades.

_Você deveria dizer “oportunidades”.

_É.

_Então tá.

_Desculpa.

_Você não fez nada.

_Por isso mesmo...

_Olha, tenho que ir agora. Outra hora a gente se fala mais.

_Tá.

_Adeus.

_Adeus?

_Foi maneira de dizer.

_Ah! Soou forte...

_Tchau, então.

_Tchau.

_Você é uma pessoa boa.

_...

02 maio 2007

Cavalheirismo

Só conheci até hoje duas mulheres que não gostavam de gentilezas.

Uma dizia que o cavalheirismo seria um instrumento de dominação machista.

A outra era ainda mais idiota.

01 maio 2007

Fim do blog

Dia 17 passado coloquei um texto que dizia “Acho que é assim que tudo termina...”. Bem, não era o blog que terminava. Era outra coisa, mais pessoal: uma fase, um sentimento, um pensamento, algo assim.
O blog continua vivo, como mostra a postagem abaixo, embora tenha passado um tempo sem novidades. (É difícil escrever quando algo acaba).

Empatia

Empatia sf. Tendência para sentir o que sentiria, se estivesse em situação vivida por outra pessoa. (Dicionário Aurélio)
Há um vídeo em páginas da internet e circulando por mensagens de correio eletrônico (no meu e-mail mesmo já chegaram 3, devidamente encaminhadas à lixeira) no qual um homem puxa blusas ou saias (e às vezes até a roupa íntima) de mulheres andando na rua.

Falei com amigos. Muitos acharam engraçado. (Scotch, graças a Deus, não). Não sei que graça tem.

Qualquer pessoa que já tenha sonhado que estava nua (e esse é um sonho recorrente na infância) sabe o quão constrangedor é essa situação.

Mais do que isso, a atitude é humilhante demais, ao impedir qualquer reação da vítima que, entre perseguir o estúpido autor e se vestir, prefere obviamente se recompor. A covardia do autor desses atos é algo que há do mais profundo machismo, do qual todos os homens deveriam se envergonhar. Rebaixa, humilha e envergonha a mulher.

Outro dia, em um aniversário, exibiram esse vídeo. Quase todos os homens riram. E se as vítimas fossem suas mães, irmãs, esposas, namoradas ou filhas? Continuariam achando engraçado? Algumas mulheres - pasmem - riram também. E se fosse com elas?

Mas o brasileiro em geral tem uma enorme dificuldade de se colocar no lugar do outro. E disso decorre toda a sua falta de educação e respeito.

17 abril 2007

Acho que é assim que tudo termina...

13 abril 2007

Você ligaria?

Hoje me deparei com uma notícia que, infelizmente, não é tão incomum: “criança morre depois de ser esquecida no carro” (Você pode ler a notícia aqui: Terra).

Não sei se a notícia é mais freqüente devido aos avanços na área das comunicações ou se os pais andam esquecendo seus filhos devido ao stress desse mundo moderno. Mas essas são indagações para outros dois textos. O que me chamou mais atenção nesse texto foi o seguinte:
“Como está de férias, ele retornou para casa e não teria lembrado que o filho estava no carro. Apenas depois de receber um telefonema da mãe da criança, o pai percebeu que havia esquecido o menino dentro do veículo.”
O que vou dizer agora pode ter acontecido tanto quanto pode ser somente minha imaginação.

A mãe chega no trabalho, sobe pelo elevador e senta-se na sua mesa. Enquanto liga o computador, olha para o lado e vê o porta-retrato com a foto da família. Pensa no filho. Em seguida pensa no marido.

Ele saiu de casa com sono. É um bom marido e um bom pai. Mas saiu de casa com sono. Ela pensa “será que ele lembrou que o bebê estava no carro?”

A idéia é absurda. Quem acredita em poderes da mente, acredite que foi um aviso parapsicológico, uma previsão, o que for. Na hora ela só pensou que era uma idéia absurda.

Computador ligado, começou a digitar seu relatório, fazer a planilha ou o que quer que fosse seu afazer. Mas entre um parágrafo e outro, a idéia voltava à mente. “Será que ele lembrou de tirar o bebê do carro?”

Balançou negativamente a cabeça, como se quisesse espantar as idéias. Levantou e foi ao bebedor. Bebeu lentamente um copo d’água. Por mais que fizesse, não conseguia tirar da cabeça aquela idéia maluca. E agora parecia que estava mais freqüente. E mais incisiva!

Voltando pra mesa encontrou uma amiga do trabalho. Na verdade nem era tão amiga assim, mas ela precisava falar com alguém. Era urgente colocar pra fora aquele pensamento antes que ele tomasse conta do cérebro inteiro, deixando-a louca. Se já não estivesse...

A nem-tão-amiga recém-promovida a confidente ponderou com a clareza de raciocínio que é impossível para um protagonista ter. Aconselhou que ela ligasse. O que tinha a perder?

E ela então ligou. Mas já era tarde demais...



Pode ser que essa história não tenha sido assim. Talvez ela tenha ligado na primeira vez em que pensou em ligar, só que tenha pensado tarde. Pode ser que ela tenha ligado pra saber se a empregada tinha lavado e passado o vestido que ela usaria à noite, aí perguntou se o bebê estava dormindo então o pai se lembrou.

Mas suponhamos que a história tenha acontecido da forma como narrei.
  1. Se ela liga rápido e o pai não tinha lembrado do bebê no carro, ele corre, tira o filho e todos ficam felizes;
  2. Se ela liga rápido e o pai tinha tirado o bebê, ele fica bravo por ter sido acordado (de novo), passa uns dias emburrado mas ainda consegue sorrir toda vez que embala o bebê nos braços. Depois voltam a ser uma família feliz;
  3. Se ela demora a ligar mas ele não havia esquecido o filho no carro... As coisas acontecem como no caso anterior;
  4. Se ela demora a telefonar e ele havia esquecido... Bem, foi o que aconteceu;
  5. Se ela não liga... Remorso pro resto da vida.
E você, leitor, o que faria? Espero que nunca se veja numa situação assim de tal gravidade, mas situações semelhantes acontecem cotidianamente em nossas vidas. O que vai fazer numa situação assim?

09 abril 2007

Distância

“Isso era o mínimo que eu podia fazer.
Embora fosse o máximo que dava pra fazer hoje, à distância.”

07 abril 2007

Cajuína

Há um mito de que Caetano tenha feito a música “Cajuína” para Teresina. Não é verdade!

A música foi composta pro Dr. Eli, pai de Torquato Neto. Ele, pessoa sensacional, humilde, simples, de uma amabilidade fenomenal, não lhe reclama que lhe tomem o que é seu de direito. E escuta contarem como verdade o mito falso de que a “Cajuína” é de Teresina.

Leia a letra da música, tente ver alguma homenagem a Teresina... Depois eu volto.

Cajuína
Caetano Veloso

Existirmos a que será que se destina
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina



Viu alguma coisa homenageando Teresina? Falou do Rio Poty? Da ponte metálica? Do encontro dos rios? Do Troca-troca? Não, né? Pois é... Não tem nada de Teresina.

No livro “Pra mim chega - A biografia de Torquato Neto”, Toninho Vaz conta:
(Em 1979,) Caetano compõe e grava Cajuína, escrita depois de uma visita a doutor Heli, em Teresina, que lhe deu a rosa pequenina colhida no jardim da casa, na Coelho de Resende. Sobre esse encontro, doutor Heli diria: “O rapaz chorou muito aquele dia”. (Edt. Casa Amarela - pág. 207)
Tá, você pode achar que não prova nada. Então, que tal as palavras do próprio Caetano Veloso?
Numa excursão pelo Brasil com o show Muito, creio, no final dos anos 70, recebi, no hotel em Teresina, a visita de Dr. Eli, o pai de Torquato. Eu já o conhecia pois ele tinha vindo ao Rio umas duas vezes. Mas era a primeira vez que eu o via depois do suicídio de Torquato.

Torquato estava, de certa forma , afastado das pessoas todas. Mas eu não o via desde minha chegada de Londres: Dedé e eu morávamos na Bahia e ele, no Rio (com temporadas em Teresina, onde descansava das internações a que se submeteu por instabilidade mental agravada, ao que se diz, pelo álcool).

Eu não o vira em Londres: ele estivera na Europa mas voltara ao Brasil justo antes de minha chegada a Londres. Assim, estávamos de fato bastante afastados, embora sem ressentimentos ou hostilidades. Eu queria muito bem a ele. Discordava da atitude agressiva que ele adotou contra o Cinema Novo na coluna que escrevia, mas nunca cheguei sequer a dizer-lhe isso.

No dia em que ele se matou, eu estava recebendo Chico Buarque em Salvador para fazermos aquele show que virou disco famoso. Torquato tinha se aproximado muito de Chico, logo antes do tropicalismo: entre 1966 e 1967. A ponto de estar mais freqüentemente com Chico do que comigo. Chico eu eu recebemos a notícia quando íamos sair para o Teatro Castro Alves. Ficamos abalados e falamos sobre isso. E sobre Torquato ter estado longe e mal.

Mas eu não chorei. Senti uma dureza de ânimo dentro de mim. Me senti um tanto amargo e triste mas pouco sentimental. Quando, anos depois, encontrei Dr. Eli, que sempre foi uma pessoa adorável, parecidíssimo com Torquato, e a quem Torquato amava com grande ternura, essa dureza amarga se desfez. E eu chorei durantes horas, sem parar.

Dr. Eli me consolava, carinhosamente. Levou-me à sua casa. D. Salomé, a mãe de Torquato, estava hospitalizada. Então ficamos só ele e eu na casa. Ele não dizia quase nada. Tirou uma rosa-menina do jardim e me deu. Me mostrou as muitas fotografias de Torquato distribuídas pelas paredes da casa. Serviu cajuína para nós dois. E bebemos lentamente. Durante todo o tempo eu chorava.

Diferentemente do dia da morte de Torquato, eu não estava triste nem amargo. Era um sentimento terno e bom, amoroso, dirigido a Dr. Eli e a Torquato, à vida. Mas era intenso demais e eu chorei. No dia seguinte, já na próxima cidade da excursão, escrevi Cajuína.
(Veja em http://oglobo.globo.com/blogs/moreno/post.asp?cod_Post=10886)

Agora, volte lá pro início do post e leia a letra, desta vez sabendo como foi feita.

Entendeu a letra agora? Então, faz um favor pro “homem lindo”, pai do “menino infeliz”: passe essa história pra frente.

31 março 2007

Preço e valor



“Um homem que se vende não vale o que lhe pagam.”

(Qualquer que tenha sido a quantia negociada.)


30 março 2007

O uso das aspas

Não, não é assunto de português não...

As duas manchetes, notícias e fotos abaixo são da Agência Reuters. Comparem as manchetes e as fotos, em seguida tirem suas conclusões sobre o que quiserem (imparcialidade da imprensa, maus tratos em Guantánamo, o fim da história ou a venda do pão francês a quilo).
  1. Prisioneiro de Guantánamo assume atentados de 11 de setembro

  2. TV iraniana mostra britânicos capturados e "confissão"



PS: Sou contra Guantánamo, contra algumas políticas dos EUA, contra o programa nuclear do Irã, contra a tendenciosa imprensa "neutra" (olha o uso das aspas de novo!!!) e contra a venda do pão francês a quilo.

22 março 2007

Te desejo uma história feia!

Grande parte das belas histórias de amor são tristes. Talvez sejam belas exatamente por serem tristes. Claro que é bonito ver um final romântico, com o casal de protagonistas se abraçando ao pôr-do-sol. Mas não é lindo. Não como “Romeu e Julieta”, nem como “E o vento levou...”, nem ao menos tão bonito quanto aquele filme que você viu no DVD ou na TV por assinatura ontem à noite.

Ontem estava lembrando de um dos mais belos clips que já vi: “All I Want Is You”, do U2. veja o clip clicando aqui. Não faz mal não saber falar inglês. Basta, talvez, saber que a tradução do título é “Tudo o que eu quero é você”. Vá ver e depois continuo.

.
.
.

Viu? Observou como o anão era completamente apaixonado pela trapezista? Pensando em fazê-la reparar nele, em atrair-lhe a atenção e a devoção (e não somente a simpatia), resolveu deixar de lado o que sabia fazer e partir para algo completamente desconhecido, para a área da sua “amada” e do homem por quem ela era apaixonada: o trapézio. No final, a queda.

Não poderia ser diferente. Ele nunca havia treinado trapézio e além disso os aparelhos não estavam ajustados para sua altura, para o comprimento de seus braços, etc. Mas também não poderia ser diferente pois é isso que acontece sempre que deixamos de ser nós mesmos para sermos quem a pessoa amada quer que sejamos: a morte, figurativa ou real.

A história é linda pra quem está de fora. Só quem a vive sabe o quanto dói, o quanto se sofre. É lindo ver, em nome do amor, uma pessoa se humilhar, se abnegar, se suprimir, se dedicar, se anular.

É uma história linda exatamente por ser triste. Por isso mesmo, eu desejo, meu amigo, que todas as tuas histórias sejam feias.

Para saber mais sobre o vídeo e a música:
Vídeo - Making of - Letra - Tradução


20 março 2007

Fábula moderna

Autor desconhecido

Uma galinha achou alguns grãos de trigo e disse a seus vizinhos:
“Se plantarmos este trigo, teremos pão para comer. Alguém quer me ajudar a plantá-lo?”

“Eu não”, disse a vaca.
“Nem eu”, emendou o pato.
“Eu também não”, falou o porco.
“Eu muito menos”, completou o bode.

“Então eu mesma planto”, disse a galinha.
E assim o fez. O trigo cresceu alto e amadureceu em grãos dourados.

“Quem vai me ajudar a colher o trigo?”, quis saber a galinha.

“Eu não”, disse o pato.
“Não faz parte de minhas funções”, disse o porco.
“Não depois de tantos anos de serviço”, exclamou a vaca.
“Eu me arriscaria a perder o seguro-desemprego”, disse o bode.

“Então eu mesma colho”, falou a galinha, e colheu o trigo ela mesma.

Finalmente, chegou a hora de preparar o pão.
“Quem vai me ajudar a assar o pão?” indagou a galinha.

“Só se me pagarem hora extra”, falou a vaca.
“Eu não posso por em risco meu auxílio-doença”, emendou o pato.
“Eu fugi da escola e nunca aprendi a fazer pão”, disse o porco.
“Caso só eu ajude, é discriminação”, resmungou o bode.

“Então eu mesma faço”, exclamou a pequena galinha.
Ela assou cinco pães, e pôs todos numa cesta para que os vizinhos pudessem ver.

De repente, todo mundo queria pão, e exigiu um pedaço.
Mas a galinha simplesmente disse:
“Não! Eu vou comer os cinco pães sozinha”.

“Lucros excessivos!”, gritou a vaca.
“Sanguessuga capitalista!”, exclamou o pato.
“Eu exijo direitos iguais!”, bradou o bode.
O porco, esse só grunhiu.

Eles pintaram faixas e cartazes dizendo “Injustiça” e marcharam em protesto contra a galinha, gritando obscenidades.

Quando um agente do governo chegou, disse à galinhazinha:
“Você não pode ser assim egoísta.”

“Mas eu ganhei esse pão com meu próprio suor”, defendeu-se a galinha.

“Exatamente”, disse o funcionário do governo, “essa é a beleza da livre empresa. Qualquer um aqui na fazenda pode ganhar o quanto quiser. Mas sob nossas modernas regulamentações governamentais, os trabalhadores mais produtivos têm que dividir o produto de seu trabalho com os que não fazem nada”.

E todos viveram felizes para sempre, inclusive a pequena galinha, que sorriu e cacarejou: “eu estou grata”, “eu estou grata”.
Mas os vizinhos sempre se perguntavam por que a galinha nunca mais fez um pão.

10 março 2007

De quem é a culpa?

Vamos supor por 1 minuto (no máximo 2 ou 3, depende mais da sua velocidade de leitura) que eu me vendi a essa tese de que “a culpa é da sociedade”. Proponho esse raciocínio. Vamos ver a que conclusões chegamos...
  • A culpa é da sociedade? Ora, o conjunto de homens (coletividade) agrupados submeteu-se a um governo por um “contrato social” (veja obra de Jean-Jacques Rousseau) para que, cada um renunciando a um pouco de sua liberdade, pudessem viver em paz e em grupo.

  • Antes desse “contrato social” os homens viviam na barbárie, cada um tomando o que lhe aprouvesse de quem quisesse, valendo a lei do mais forte, na selvageria. Sociedade governo surgem simultaneamente, quando a coletividade resolve abandonar a barbárie.

  • O problema é que em alguns Estados (Brasil, entre eles), seus governantes não transformaram essas renúncias individuais em crescimento e progresso para toda a população. Por isso os menos favorecidos resolvem “pegar no tapa” o que (acham que) lhes é devido.

  • Por outro lado, o mesmo governante deve lembrar-lhes que renunciaram (sim!) a suas pretensões de resolver com as próprias mãos, sob pena de que haja a ruptura deste contrato social e cada um passe a agir de acordo unicamente com suas próprias pretensões e vontades e se reinstale a barbárie, com desordeiros, salteadores, milícias e justiceiros.

  • É isso o que já vemos começar a acontecer e que só tende a piorar. Assim que os homens (todos) deixarem de confiar na justiça estatal (o que está perto de ocorrer), voltaremos ao estado de barbárie. Por hora, apenas o lado “menos favorecido” cansou de esperar a “justiça social” e resolveu fazer justiça pelas próprias mãos. Logo será a vez dos ricos e poderosos se protegerem de forma mais agressiva.

  • Conclui-se que o governo deve agir na área da Segurança Pública com rigor ao invés de ficar esperando que as políticas sociais (e educacionais, se houvesse alguma) surtam efeitos, o que só ocorre a longo prazo.

Concluindo... A culpa da crescente violência e criminalidade não é, sob qualquer raciocínio que se use, da sociedade: A CULPA É DO GOVERNO.