05 setembro 2018

Cotidiano



Todo dia eu faço um tremendo esforço para acordar, visto o meu melhor sorriso e saio pra enfrentar o dia. Conto piadas, sorrio pra todos, abraço quem precisa e tento realizar minhas tarefas da melhor forma possível. No final do expediente, volto pra casa, assisto um filme ou leio alguma coisa, tomo um banho, janto o que tiver e vou dormir encolhida embaixo dos lençóis.

Como aparento felicidade e espalho sorrisos, ninguém desconfia o que sinto, o que penso, as vontades que tenho ou que já tive, quantas vezes meus sonhos foram frustrados e meu coração, partido.

Nem eu sei dizer se estou perto do meu limite de desilusões. As pessoas dizem que é uma fase que logo vai passar. Logo quando? Há anos espero que passe. Já não sei o que fazer e estou cansada de tentar.

28 setembro 2016

Um bilhete curto e já não há nada


Em um livro que comprei em um sebo, achei o seguinte bilhete:

Todos os meus sonhos se foram.
Não falo aqui dos implausíveis sonhos de infância, como ser astronauta ou o melhor jogador de futebol do mundo. Sonhei tudo isso e outros sonhos. E esses outros é que hoje me fazem falta.
Sonhei que daria uma casa para meus pais, não tenho nem a minha.
Sonhei que daria um carro para cada um deles. Ando em um carro com 7 anos de uso.
Sonhei que ampararia meus pais na velhice. Eles estão velhos, eu quase isso, e mal consigo pagar minhas contas.
Sonhei que por volta dos 25 casaria e com 30 teria um ou dois filhos. Tenho quase 50 e estou só.
A você que achou este bilhete, poderia dar muitos conselhos, como procurar um bom emprego, estudar muito, manter o foco e outros. Mas de que adiantaria? Fiz tudo isso e onde aonde cheguei?
Não pense que sou amargurado. Vivo bem, não sou feliz nem triste. E não sei o que recomendar a quem ler este bilhete. Simplesmente existo e isto me basta. Que você tenha melhor sorte.

Isto foi há três dias. Pra quem responder? Não há no livro nenhum nome, endereço, telefone, mensagem de e-mail, nada.

Mas, principalmente, o que responder? O que posso dizer pra alguém que “não é feliz nem triste”, que “simplesmente” existe e isto “basta”?

PS: Lembrei do início da letra de “Alice (Não Me Escreva Aquela Carta de Amor)”: Tantos sonhos morrem em poucas palavras, um bilhete curto e já não há nada. Na música, o bilhete mata os sonhos. Neste caso, o bilhete é só o atestado de óbito...

25 agosto 2015

Do outro lado do prédio


Do local onde trabalho dá pra ver o apartamento dela.

Quer dizer... Mais ou menos isso. Dá pra ver o prédio onde ela mora, mas seu apartamento fica por trás, do outro lado.

Eu sonho todo dia que ela vai fazer amizade com a garota que mora em frente (mora uma garota no apartamento em frente? Espero que sim... E se for um carinha sarado?)

Bem, como eu ia dizendo, eu sonho todo dia que ela vai fazer amizade com a garota que eu suponho que mora em frente a seu apartamento, porta com porta, e então ela vai passar horas conversando com a amiga na varanda. Deste modo poderei sempre a ver. Ou quase isso.

É que na verdade não dá pra ver o prédio da minha sala. Ela fica do outro lado do prédio onde trabalho. Eu precisaria ainda arrumar uma desculpa para ficar horas na sala de outra pessoa, fazendo não sei o quê.

Resumindo... Eu gosto da garota que mora no outro lado do prédio que dá pra ver do outro lado do prédio onde trabalho.

Isto é quase nada. E é quase impossível que um dia eu a veja.

Só quase...

07 julho 2015

Querido diário


Em algum dia no passado - cuja data precisa não vem ao caso neste momento - eu me graduei em uma universidade pública federal e iniciei meu mestrado pela PUC-SP.

Dividi um apartamento com outros mestrandos, fiz amizade com uma estudante coreana e com um professor mexicano que odiava tequila, discuti com um professor nascido em Dresden que me xingou em alemão (depois descobri o que era e, não se preocupem, no dia eu o xinguei de coisas até piores, estamos quites) e conheci o amor da minha vida.

Casamos logo após a defesa da monografia, com direito a recepção para 500 amigos. Fizemos juntos o doutorado no exterior e tivemos duas filhas gêmeas após a conclusão. Minha tese de doutorado foi matéria de capa na revista Science. Não a manchete principal, só uma chamada no pé da página mas já é algo a se orgulhar.

Voltamos ao Brasil, tivemos mais um filho (um menino) e, após dois anos trabalhando no Brasil, fomos contratados por uma multinacional de Hong Kong. Visitamos o Brasil frequentemente, talvez menos do que gostaríamos.

Meu pai está aposentado e muitas vezes preciso ter cuidado ao marcar a viagem para o Brasil pois ele e minha mãe vivem viajando pelo mundo, curtindo a terceira idade, e já aconteceu de nos desencontrarmos. E também já aconteceu de combinarmos férias conjuntas em Nova York. Durante muitos anos eles se desentenderam, mas por fim se reapaixonaram e hoje são uma inspiração para os casais mais novos.

Em algum dia no passado este poderia ter se tornado meu futuro. Deve ter sido em algum universo paralelo, mas não neste.

25 junho 2015

Stop!


Não é somente o blog que está parado. Acho que há dois motivos principais para blogueiros pararem de atualizar seus sites. Um é o excesso de atividades. Muitas coisas a fazer, muitos estudos ou muito trabalho ou ainda uma vida social ativa. A outra é a falta de assunto.

Neste caso há um pouco de cada. Um excesso de atividades combinado a uma falta de assuntos pessoais. (Claro que tem mil coisas acontecendo na política, na economia, no mundo, mas há dez mil blogs melhores para falar destes assuntos).

O fato é que minha vida está parada. Venho percebendo isto há meses (talvez anos), mas há cerca de duas semanas tive um click. Se eu comparar os aspectos da minha rotina atual com a de, digamos, 8 anos atrás (talvez alguns a mais), verei que não há novidade alguma. Posso ter mudado de casa, de trabalho, de faculdade, de namorada, de amigos, de restaurante preferido, de bebida preferida, mas tudo continua o mesmo na essência.

É como ter mudado do DVD pro Blu-Ray, trocado o telefone “lanterninha” por um Smartphone, é mais especificamente como assistir “Sabrina” com Audrey Hepburn e depois “Sabrina” com Julia Ormond. Há quatro décadas de diferença entre as filmagens, um é preto-e-branco e o outro é colorido, mudaram os cenários, os atores, os diálogos... Mas ainda é o mesmo filme.

Às vezes penso que é algum tipo de show. Espero que o IBOPE esteja compensando, mas duvido.


20 março 2013

Enquanto isto, no sushi bar...


“Não consigo compreender
teu sorriso na chegada,
teu abraço na partida
e teu silêncio entre ambos.

Me ajuda a te entender
Quem sabe assim eu durma em paz”

19 julho 2012

A fé dos ateus


Admiro a fé dos ateus. É infinitamente mais fácil acreditar que um ser superior existe e criou tudo o que vemos. “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem” (Hebreus 11:1) e eu não vejo como uma explosão - algo destruidor - possa ter criado tantas maravilhas.

De igual modo, não tenho fé para acreditar na explicação para a origem da vida:

A Terra era quente e sua atmosfera não tinha oxigênio. Os raios ultravioleta penetravam na atmosfera livremente. Flutuando nos oceanos ou em algum lago, moléculas inorgânicas foram atingidas por raios de tempestade e deram origem a compostos orgânicos que depois se juntaram formando uma célula que pode se reproduzir.


Pois bem, dois químicos americanos, Harold C.Urey e Stanley Miller, decidiram testar a hipótese Oparin-Haldane e em 1953 fizeram um experimento (mais detalhes aqui) utilizando compostos inorgânicos. Após uma semana, obtiveram resultados impressionantes: os compostos químicos orgânicos eram abundantes no líquido resfriado, com a presença de vários aminoácidos. Urey e Miller concluíram que as moléculas orgânicas poderiam se formar em uma atmosfera livre de oxigênio e que as condições para o surgimento da forma de vida mais simples não estaria longe.

Depois desta descoberta impressionante, o que fizeram? Desligaram o experimento?! Fico imaginando se de 1953 até hoje nenhum químico pensou em levar adiante o experimento até criar um ser vivo de verdade, um protozoário ou uma ameba, que fosse capaz de se reproduzir ainda que por divisão celular. Seria o Nobel de Química de todos os tempos! E olhe que “não estaria longe”!

“E se esta forma de vida fosse imprevisível e altamente perigosa?” - alguém pode perguntar. Este mesmo risco havia na clonagem e nunca impediu que se fizessem vários clones desde a ovelha Dolly. Ademais, algumas pesquisas criam propositalmente seres imprevisíveis, como o rato com orelha humana, cabras com genes de aranhas e mosquitos com olhos fluorescentes (estes dois podem ser vistos aqui). Ou talvez os cientistas estejam sempre tentando mas haja uma força sobrenatural os impedindo...

(Este é só um caso, existem várias outras contestações às teorias de origem da vida e ao evolucionismo que podem ser vistas em www.criacionismo.com.br.)

Assim, embora desprovidos de qualquer comprovação, continuam acreditando no improvável (pra não dizer impossível). Quanto a mim, eu acredito em Deus pois minha fé não é tão grande.



Admiro a perseverança dos ateus. Eu acredito que há um paraíso preparado para mim, acredito que “na casa de meu Pai há muitas moradas” (João 14:2), e com esta certeza a minha vida tem mais sentido. Posso ou não ir para este paraíso mas já nesta vida me sinto melhor: esperançoso, reconfortado e fortalecido. Os ateus acreditam que após a morte só há decomposição. Não há esperança de dias melhores e talvez nem haja sentido viver.

No fundo, acreditar em Deus - ou em um deus - é mais vantajoso por vários motivos. O principal deles é que se eu estiver certo (Deus existe), tenho chance de ir morar com Ele nas mansões celestiais, se for digno de ir. Se eu estiver errado, nada ganho e nada perco. Se o ateu estiver certo, ganhará esta “aposta” de mim (mas nem poderá cobrar, já que estaremos ambos decompostos para sempre). Se ele estiver errado... Bem, neste caso ele provavelmente estará se decompondo e eu lamentarei por ele.

Assim, ser ateu exige uma perseverança infinita, como a de um homem que escala uma montanha sabendo (acreditando tão fortemente que acredita que sabe) que não há nada no topo, só o abismo para se lançar. Quanto a mim, eu persevero em Deus pois minha força de vontade não é tão grande.



Admiro a credulidade dos ateus, ignorando a própria segunda lei da termodinâmica, que diz que todo sistema tende ao caos, e afirmando que os seres vivos mais organizados vieram dos mais simples. Eu creio que “no princípio criou Deus os céus e a terra.” (Gênesis 1:1).

Chega a ser ridícula a incoerência de tantos soi-disant cientistas ao afirmarem que o universo surgiu de uma explosão, que a vida originou-se da matéria inanimada e que todos os seres descendem de um mesmo ancestral comum, ao passo em que parecem ignorar que a segunda lei da termodinâmica diz que “A quantidade de entropia de qualquer sistema isolado termodinamicamente tende a incrementar-se com o tempo, até alcançar um valor máximo” ou - em bom português - todo sistema tende ao caos.

Há quem diga que este argumento não é válido, pois não se situa no campo científico, por ser uma hipótese não falseável (todos os argumentos científicos devem ser falseáveis, ou seja, em princípio deve ser possível fazer uma observação ou realizar uma experiência física que tente mostrar que essa asserção é falsa). 
 
Pergunto então se o Big Bang e a evolução de uma espécie em outra podem ser provados por observação ou experiência de laboratório. Quantos universos foram criados nos laboratórios? Quantas espécies evoluídas na frente de cientistas? São igualmente hipóteses não falseáveis, entretanto os cientistas ateus nelas acreditam!
 
E quanto à criação da vida? Urey e Miller não provaram hipótese de hipótese Oparin-Haldane, nem ninguém até hoje nestes 60 anos! E olhe que seria a maior descoberta científica de todos os tempos!

Sobre a evolução das espécies, onde estão os milhares de fósseis dos elos entre as espécies que foram previstos por Darwin? O que temos são, quando muito, pedaços de ossos dos quais os cientistas (melhor seria dizer romancistas, ficcionistas ou roteiristas) deduzem o que bem querem, desde o tamanho e aparência até os hábitos de vida e a “evolução”, como por exemplo aqui.

Assim, os ateus acreditam no que querem acreditar, selecionando estes ou aqueles argumentos como bem lhe convêm, escolhendo os fatos que se adaptem às suas teorias e não o contrário. Quanto a mim, eu creio em Deus pois minha imaginação não é tão grande.




Queria ter a fé, a perseverança e a credulidade dos ateus. Seria assim um cristão bem melhor.

Update:
Procurando imagens pra esta postagem, encontrei uma figura que dizia: “Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suar crenças não se baseiam em evidências. Baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar.”
Sério... Quem é aquele cujas crenças não se baseiam em evidências? E quem possui a profunda necessidade de acreditar?

07 maio 2012

Querida Lysia

Querida Lysia,

você mudou. Mudou tanto e tão rapidamente que duvida da própria mudança e sinceramente acredita que foi sempre assim.
Você era calma e carinhosa, estava feliz com o que tinha e espalhava felicidade, mas bastou um dia em outra cidade para um treinamento admissional – não sei se foi o novo emprego, um colega de trabalho ou uma palestra “motivacional” (sei bem o que muitas querem nos motivar a fazer) – e naquela noite você já era diferente. Tornara-se ambiciosa e materialista.
Nada mais satisfazia você, Lysia. Todos os lugares a que costumava ir eram agora medíocres na sua nova ótica. Porém, como poderia frequentar lugares chiques sem dinheiro? Você passou a persegui-lo e a medir sua felicidade pelos números no contracheque. O que antes gostava de fazer se tornou um fardo. Tornou-se inconcebível pra você que seja possível ser feliz com metade do que ganha hoje, ou mesmo de graça. Mas é!
Durante um bom tempo esperei ao seu lado que voltasse a ser a pessoa amável de antes, mas era inútil, você havia trocado sua inocência pelo brilho falso das bijuterias trazidas pelo colonizador. Como diz a música “Índios”, do Legião Urbana, “nos deram espelhos e vimos um mundo doente”. A saudável menina de antes era agora uma mulher amarga, materialista e frustrada.
Lamento muito sua escolha. A busca por riquezas nunca é satisfeita, sempre se pode querer mais, (pois os números são infinitos e sempre haverá um maior do que se tem). “Quem ama o dinheiro, dele não se fartará; quem ama a riqueza, dela não tirará proveito: e isso também é vaidade.” (Eclesiastes 5,9) Sempre se quer mais, de fato. Há uma permanente insatisfação e para preencher este vazio passamos por cima de tudo o que antes nos importava. Ou de todos.
E eu estava no caminho. Demorei mais de dois anos pra perceber sua mudança e aceitar que ela é irreversível. De príncipe amado fui passando cada dia mais a ser o atalho para sua vida mais fácil: o motorista que ia buscar, o telefonista que avisava tua mãe, o cartão de crédito pro tratamento capilar.
Depois o carinho rareou e acabou. Por fim foi-se a consideração. No aniversário de namoro, o que me deste? Tão somente a não-explicação pela ausência. No teu sentir, para que se justificar a um funcionário? Era somente isto o que eu me tornara pra você.
Sei que tentará se justificar afirmando que me dava atenção, que me visitou quando estive hospitalizado, me deu presentes e que me ligava todos os dias. De fato você fez tudo isto, mas sem amor, somente por dever e gratidão a alguém que fazia muito por você. Mas não era amor, tanto é verdade que não havia beijo ou abraço, não havia “sinto saudades” ou “te amo” (exceto o burocrático no fim do telefonema, quando havia), não havia sorriso no encontro.
Tenho pena de você, pois era feliz quando lhe conheci, mas trocou seus princípios pela ambição desmedida. Se me permite ainda te dar um conselho, darei pela consideração que ainda sinto pela mulher que não mais existe: vá em frente! Não seja covarde, não receie ousar, persiga este ouro de tolo (todos os ouros são de tolo, afinal) até perceber que não vale a pena, após muito sofrimento e tempo de vida desperdiçados.
Boa sorte! Você vai precisar...

20 janeiro 2012

Estou proibido...

 
Estou proibido de sentir raiva de quem nunca está com o telefone celular ligado ou, quando está, não atende. As notícias ruins voam, logo as saberia com celular ou sem. E as boas, quando (e se) a pessoa me achar digno de saber, me ligará. Ademais, é escolha minha telefonar e é escolha dela atender e deixar o celular desligado.

Quem sou eu pra querer controlar o estado do aparelho de outra pessoa? “Ligue!” “Desligue!” “Mude o toque!” “Tire este papel de parede!” Ridículo... Se a pessoa não compra uma bateria nova ou um carregador sobressalente, talvez tenha outras prioridades em relação às compras. E se não usa, mesmo tendo, é porque não dá importância a telefones.

Pode ser que ela não queira me atender e ignora a chamada ou programa o smartphone pra bloquear quando é meu número. Eu já fiz isso com quem só me liga quando precisa. Talvez ela me veja assim. Direito dela não atender.

“Mas é preciso ter celular. E se acontece alguma coisa?” É... Vai ver que foi por isto que aconteceu a Revolução Francesa. Ninguém teve como avisar os guardas que iam tomar a Bastilha, né? (Sim, a intenção é ser irônico.) Se acontecer algo, a gente dá um jeito, nem que pra isto tenha que correr 42 quilômetros. Ou mandar um Filípides que esteja por perto correr por nós.

De qualquer forma, acontece tantas vezes de ligar e não conseguir falar que eu já sei (ou deveria saber, se tivesse mais QI que uma ameba) que a pessoa não vai atender. Se eu ligo, conscientemente corro o risco. Se é pra ter raiva, tem que ser de mim mesmo, por ter tentado mais uma vez. No mínimo, ao ligar, preciso estar preparado pra não ser atendido. Não devo sentir raiva. Estou proibido.

Estou proibido também de ter pena de quem está doente e não procura um médico. Ou de quem sofre de dor num dia, pensa até que vai morrer de tanto sofrimento, mas no dia seguinte, só porque já não dói mais, falta à consulta marcada. Por mais corrido que seja o dia, o que pode ser mais importante que ter saúde?

Mas cada um sabe onde dói, conhece sua dor. Vou cuidar das minhas e cada um que cuide das suas. Não critico mais quem adia infinitamente sua cura, é escolha sua. Mas não me peça para ter pena. Como dizia minha vó, “quem toma o mal por sua mão não merece perdão”. Tomar o mal ou evitar o bem, pra mim, dá no mesmo. Não posso ser compassivo pra quem não tem compaixão por si mesmo.

Não posso e não devo me preocupar com alguém mais do que essa pessoa mesmo se preocupa. Em outras palavras, cuido da minha vida e deixo que ela cuida da dela. Não posso sentir raiva de quem não se cuida. Estou proibido.

Dois desabafos sobre coisas que andam me chateando bastanta em pessoas que quero muito bem (e que dizem me querer bem também): dificilmente atendem minhas ligações e não se cuidam.
Desculpe-me se te chateio com estes desafogos.

24 maio 2011

Sob a luz do luar


_Você já dançou com o demônio sob a luz do luar? - perguntou o Coringa (o do Jack Nicholson) ao Batman, no filme de 1989.

_ Não (e nem quero). Mas já dancei com um anjo em uma noite de lua cheia.

30 julho 2010

Uma nova mulher

“Felizmente não era alzheimer” - diziam os amigos e ele concordava, maneando a cabeça de maneira afirmativa, mas no seu íntimo quase desejava que fosse. Talvez assim ele sofresse menos.

O que o incomodava era não reconhecer mais a própria esposa. Não era um caso de reconhecimento facial, uma amnésia, mal de alzheimer... Era algo que não tinha nome, nem explicação racional.

Tudo começou quando ela deixara de comparecer ao tradicional almoço de Páscoa na casa dos pais dele. Dias depois, ligou dizendo que chegaria mais tarde porque tinha que refazer um relatório gerencial pois o total não tinha fechado, coisa e tal. E deixou de atender alguns telefonemas dele no horário de expediente.

Claro que passou pela cabeça o medo da traição. Tentou assistir TV, mas seus olhos fixos no eletrodoméstico mostravam sua ausência. Pensou em mil possibilidades mas não fazia sentido ser traído: eram felizes em todos os sentidos, tinham uma boa situação financeira (que lhes permitia viajar de tempos em tempos), estavam sexualmente satisfeitos, mantinham a paixão acesa... E, se nada disso bastasse, eram religiosos e - pelo menos a princípio - respeitavam o mandamento de não trair.

Algum tempo passou e as coisas pareciam voltar ao normal. Um dia ele notou que ela tinha um novo aparelho celular, na verdade um smartphone. Logo ela, que não era fã de coisas hi-tech e cujos celulares tinham parcos recursos e raramente iam além do FM, MP3 e joguinho.

O pior de tudo nem foi o celular novo (isso ele até achou bom), mas o fato de ter comprado e não ter contado, compartilhado. Fingiu não notar no primeiro dia, mas terminou perguntando:

_ Celular novo?

_ É. O outro estava começando a dar problema.

_ Comprou quando?

_ Faz uns dias...

A resposta imprecisa o deixou pior do que antes. Antes achava que ela não queria contar sobre o celular, agora tinha certeza disso! A coisa piorou mais ainda quando ele descobriu que ela tinha Twitter. Não era nada escondido, já que usava o próprio nome e sobrenome. E não escrevia nada.

Mas pra que ter Twitter e não usar? Ele tinha e nunca fizera segredo disso, tinha dado o endereço a ela. Ou não? Provavelmente tinha. Certamente! E ela tinha um Twitter e não escrevia nada???!!! Só se fosse pra trocar DMs, as mensagens privativas...

Pensou em olhar cada seguidor dela e cada pessoa que ela seguia, buscando algum que parecesse suspeito. Não daria trabalho, não chegavam nem a cinquenta pessoas... Mas desistiu. Não queria desconfiar da esposa.

Algumas semanas depois quis deixar um recado no Orkut da esposa e não encontrou. Ela apagou o perfil? Procurou e terminou encontrando a página dela, sem foto e com o nome “Fechada para balanço”! E sem os depoimentos dele... Pelo menos ela deixara o estado civil inalterado. Mas o que estava acontecendo com a sua esposa?

Passou semanas tentando descobrir, sentindo cada palavra e observando cada movimento. Pensou em fazer uma planilha medindo quantos abraços, beijos e “eu te amo” ouvia, mas achou isso muito alienista, muito machadiano. E, sobretudo, muito doentio.

Continuavam aparentemente felizes em todos os sentidos, a situação financeira até melhorara, estavam planejando uma viagem a Los Angeles, continuavam satisfeitos sexualmente e a paixão continuava acesa... E ainda iam à Igreja toda semana e comungavam, o que significava - pelo menos a princípio - que ela ainda era fiel.

Certo dia não aguentou mais, perguntou a ela o que estava acontecendo. Ela disse que nada estava acontecendo, ele citou as mudanças e estranhezas. Ela disse que era bobagem, que o amava muito, que ele deixasse de caraminholas, que era sua e de mais ninguém, que pensava nele as 24 horas do dia, que falava nele pra todo mundo, que no celular... Ops! Smartphone dela só tinha fotos dele, só tinha mensagens dele e tudo o mais...

Depois começou a chorar, dizer que ele podia perguntar para a mãe dela ou ligar pra colega de trabalho, que elas iam confirmar que ela era apaixonada por ele, que não tinha olhos para mais ninguém, que o amor dele era mais do que suficiente para a felicidade completa dela.

E era verdade tudo isso o que ela dissera. Mas ela havia mudado e isso o incomodava cada dia mais. Ele tinha certeza de que não havia mudado, os amigos diziam isso e até mesmo ela confirmava que ele era o mesmo homem que um dia a pedira em namoro.

Não havia casado com ela, não com essa mulher. Algum extraterrestre a havia abduzido e tomado seu lugar. Ele não reconhecia mais a esposa (infelizmente não era alzheimer, ele pensava), não era a mulher com quem se casara, disso tinha certeza.

A mulher que ele tomou no altar era atenciosa, carinhosa e caseira. A que estava morando com ele nunca percebia se ele estava triste ou só cansado, não assistia mais TV de mãos dadas e vivia no shopping com amigas. Até no sexo mudara: agora ela, após o êxtase, virava de lado, dando as costas pra ele e dormia.

Era uma nova mulher.

E a cada dia que passava ele ficava mais determinado a abandonar essa estranha e sair pela porta à procura da mulher que conhecia, com quem namorou e casou.

12 julho 2010

A Copa do Mundo é nossa?

Nem bem acabei de escrever o texto sobre o logotipo da Copa 2014 no Brasil e me dou conta que o pior nem é o logotipo. É que a gente pode até passar a vergonha de ter a Copa retirada daqui.

(Pensando bem, com o logotipo que temos, o melhor mesmo seria adiar nosso sonho pro dia em que a gente aprendesse a dar valor aos que merecem. Esses logotipos e outro tipos que têm 95% de popularidade muitas vezes não possuem nem 1% de qualidade).

Veja a notícia publicada hoje da Agência Estado (com grifos meus pra leitura dinâmica de vocês):

Fifa alerta que falta tudo ao Brasil para Copa de 2014

Entidade deixou claro que passará a pressionar o País para que erros do Mundial da África não se repitam - 12/07/2010
Jamil Chade - Enviado Especial - O Estado de S. Paulo

Três anos depois de dar a Copa de 2014 ao Brasil, a Fifa alerta que falta tudo ainda no País para organizar o Mundial em quatro anos. A entidade deixou claro que, com o fim da Copa de 2010, passará a pressionar o Brasil para acelerar as obras para o Mundial. Muitas das promessas sequer saíram ainda do papel, para o desespero da Fifa.

Ontem, questionado se existiam problemas do Brasil para a Copa, o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, admitiu que sim. “Temos alguns problemas sim”, disse. A lista do cartola, na realidade, é longa e complexa. “Precisamos construir estádios, estradas, o sistema de telecomunicações, aeroportos e ver se há mesmo a capacidade suficiente em hotéis”, disse Valcke.

Em resumo, o recado da entidade é de que nada está em dia. Não há nem uma definição de onde ocorrerão os jogos de abertura e semifinais, como será a infra-estrutura, quais aeroportos serão usados e nem sobre garantias financeiras. Um membro do Comitê Executivo da Fifa admitiu ao Estado que, se o Brasil não tivesse concorrido sozinho para sediar a Copa, não teria levado diante da falta de planejamento.

Para a Copa de 2018 e 2022, há na Fifa quem tenha a sensação de que os candidatos estão mais preparados que o Brasil. Nos bastidores, o Brasil vem sendo considerado pela Fifa como um país tão problemático ou até pior que a África do Sul para a realização da Copa. Antes do início do Mundial, o presidente da entidade, Joseph Blatter, chegou a apontar que “o Brasil não era um paraíso”, em um sinal de insatisfação com a forma de lidar com a Copa pelos cartolas e governos.

Em maio, Valcke já havia alertado que os trabalhos no Brasil estavam “impressionantemente atrasados”. Sua avaliação é de que o atraso chegava a dois anos. Na quinta-feira, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, garantiu que essa não era mais a situação do Brasil e que as obras estavam já em andamento. Mas alertou para a situação dos aeroportos.

Na sexta-feira, foi a vez do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacar quem duvidasse do Brasil. Para ele, era “descabido” questionar se o Brasil estaria pronto para a Copa, garantindo que investimentos seriam feitos e que não faltaria aeroportos. Lula chegou a se irritar com o questionamento. “Se o Brasil não tiver condições, garanto que volto da África à nado”, disse.

Valcke, que terá de tomar decisões sobre estádios e sobre o formato da competição no Brasil, admite que o trabalho não será pequeno. “Vamos trabalhar em todos esses assuntos”, garantiu. O A Fifa havia prometido que falaria de 2014 após o final da Copa de 2010. Mas, ontem, um dia após a final da Copa, o sentimento ainda era de que não se deveria tratar do assunto diante do grande número de polêmicas. A Fifa estava decidida a não permitir que jornalistas brasileiros tomassem a conferência para falar de 2014. Vários jornalistas do País que pediram a palavra simplesmente não foram atendidos.

Blatter admitiu que fará uma visita até o final do ano ao Brasil, antes do fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas a relação entre a Fifa, CBF e o governo não é das melhores. Lula desistiu de assistir a final da Copa, o que foi considerado como um ato de menosprezo à entidade que levará o Mundial ao Brasil em 2014.

Tradicionalmente, o presidente do próximo país sede é o convidado de honra da final da Copa. Ontem, na sala vip do estádio, o lugar de Lula ficou vazio.
Resumindo: o presidente bravateiro certamente teria que voltar nadando, mas isso é só mais uma bravata dele. Na hora de prometer, o PT é muito bom. Já na hora de realizar... Pense nisso quando for votar.

Logotipos da Copa

Ecos de rock nacional na minha cabeça juntam no mesmo palco Ultraje A Rigor e Legião Urbana, mais precisamente os versos “a gente não sabemos (sic) escolher presidente” com “que país é esse?”

O nosso logotipo da copa é o pior logotipo de evento esportivo que já vi na vida. Nem um torneio de par ou ímpar de bairro tem um logotipo tão primário! É antiestético de tão torto e é antiético (quem disse que já podemos colocar a mão na taça?). E que combinação é essa de verde, amarelo e... vermelho???? Custou quanto aos cofres públicos (leia-se “ao nosso bolso”) essa porcaria?

Me recuso a colocar uma figura dele aqui. Não quero poluir visualmente o blog.

Esse logotipo ao lado é muito melhor! Foi feito por dois concludentes de curso de Desenho Industrial, a Karina Campanha e o Cairê Uchôa.

Eles criaram também toda uma identidade visual para o produto: folder, identidades, ingressos, CDs, envelopes, tudo isso acompanhado de um manual de aplicação.

Eu fiquei sabendo da história pelo Chocola Design. Em seguida, visitei o Flickr da Ká, que tem uma apresentação do projeto e ainda uma vinheta muito bonita.

Por mim, preferia que o novo presidente revogasse o concurso ridículo que escolheu a ridícula logomarca, obrigando o vencedor a devolver o prêmio aos cofres públicos, fazendo um novo concurso.

Ou, se isso não der certo, que todo mundo se recusasse a fabricar e a usar aquele ridículo logotipo torto e feio e usasse esse da Ká e do Cairê. Eu acho este muito melhor!

30 junho 2010

Um domingo qualquer

Não andavam muito bem. As discussões eram frequentes e a mágoa transbordava entre os dias. Reflexo da estafa no trabalho de ambos, pensavam. E assim desculpavam a si e ao outro.

A vida os mudara. Estavam juntos há longos 9 anos, os dois últimos mais longos que os sete primeiros.

Começaram a namorar ainda na época do segundo grau, cursado em colégio de freiras que não permitiam mãos dadas no recreio nem abraços enquanto vestissem o uniforme, ainda que fora das dependências da escola.

Fizeram faculdade em cidades diferentes, gastando as economias dos estágios e “bicos” em xérox de livros e passagens de ônibus, mas se viam pelo menos uma vez por mês. Haviam jurado fidelidade no calor da aprovação no vestibular e mantiveram a promessa. Ou assim me contam, e me dou por satisfeito com a palavra de um e de outro.

Formaram-se quase no mesmo dia. Ele no dia 22 de setembro, ela no dia 24. Havia um equinócio entre as graduações, era primavera e tudo eram flores. Voltaram à cidade natal e mataram a saudade. Não desgrudaram uma hora sequer nos 47 dias que se seguiram, mas no 48º dia discutiram.

Uma besteira, uma bobagem, um trocinho insignificante... Ele convergiu à esquerda sem acionar a sinaleira, ou ela jogou o papel do chocolate no chão, ou algo do mesmo tipo, categoria e tamanho. Motivo ridículo, ambos admitem. Após 7 anos se conhecendo, se estranharam.

Nos dias seguintes, foram se redescobrindo. Na verdade, descobrindo o quanto cada um havia mudado nos 5 anos de faculdade, quantos defeitos novos haviam surgido e quantas qualidades haviam ficado pelo caminho.

Meses se passaram e o carinho não era o mesmo. O beijo quase escondido na época de colégio e ansiado na época de faculdade agora era quase temido. Porque você pode fingir as palavras, mas é muito difícil mentir um beijo. (Tem quem seja profissional nas duas coisas e em todas as demais formas de mentira, mas não era o caso deles).

Ambos se magoavam com a frieza que se instalara e que os dois fingiam não sentir. Havia a esperança (vã) de voltarem ao que era, como se fosse possível reverter o tempo, anular a distância e recompor cristais uma vez quebrados. Havia ainda a autopiedade que os impedia de jogar fora os 7 belos anos (e, assim, jogavam fora não só os sete que já haviam ido pro brejo como os dias que se passavam e se transformavam em nove).

E principalmente havia a teimosia e o orgulho que impede a pessoa de admitir que errou, de jogar o projeto no lixo e começar em uma nova folha em branco, ainda que o prazo esteja acabando (o que não é o caso, pois nos assuntos sentimentais só é tarde pra recomeçar se a pessoa acreditar que é).

Adivinhando subconscientemente todos os dias um fim que nunca vinha, ela o escondia de seus colegas de trabalho, pois não queria “ser queimada na firma”, seja lá o que quer que isso signifique. Poucos sabiam que ela tinha namorado e quase todos poderiam passar por ele na porta do edifício sem saber de quem se tratava. Pra sem mais exato, dos 28 funcionários da firma, só dois sabiam que ele era namorado dela. Contando com ela!

Por três vezes ele foi buscá-la, querendo fazer surpresa e ela mentiu, afirmando que não estava mais na firma, que havia saído mais cedo e ido de ônibus (dor de cabeça, consulta médica e prova na especialização foram as desculpas) para não ter que abraçá-lo na recepção da empresa. Ou pior, para não ter que recusá-lo na recepção da empresa.

Num domingo qualquer, ele foi entregar uma maquete para uma nova cliente. Domingo? Ela estranhou sem motivo. Ele era assim, meio workaholic quando se empolgava com uma encomenda. Na verdade, se empolgara tanto que era pra entregar no sábado, mas quis dar os retoques finais com perfeccionismo e ligou pra cliente perguntando se poderia entregar no dia seguinte.

No domingo, ela foi junto com ele. Ao chegar na casa, ele estacionou o carro e ela avisou “espero aqui”. Ele não insistiu, pois sabia que a cliente não estava em casa, que entregaria a maquete para a empregada, caso contrário teria insistido para que ela descesse, pois sabia (no íntimo sabia) o que era ser “ocultado” da vida profissional da pessoa amada.

(Sim, eles ainda se amavam, embora fosse mais pelo que um dia foram do que pelo que eram naquele momento)

Ele entrou, colocou a maquete com cuidado em cima da mesa de jantar, agradeceu a empregada e saiu. Ela, enciumada, imaginou mil coisas nos pouco mais de meio minuto que ele estivera longe dos seus olhos, mas nunca perguntou o que aconteceu dentro da casa, embora quisesse muito saber.

E ele nunca disse, embora soubesse que ela queria saber mais do que tudo no mundo.

09 junho 2010

Um dia qualquer

No mesmo dia em que colocou o retrato do cônjuge na parede, este pediu o divórcio.

A vida não é irônica?

24 maio 2010

Instantâneo



O fim de semana é sempre curto para os que amam.



24 novembro 2009

Lula sempre foi a maior ameaça à democracia na America Latina

Estava navegando e me deparei com a seguinte frase, no blog do Coronel:
“Lula superou Chávez e transformou-se na pior ameaça à democracia no continente.” (aqui)
Engano...

Lula sempre foi a maior ameaça à democracia na América Latina.


Simples assim...

Lula é o presidente do maior país do subcontinente, seja em área, poder militar, população ou pujança econômica! Se a ditadura bolivariana não avançou aqui o tanto que avançou na Venezuela, no Equador, no Paraguai etc. é porque AINDA não pôde.

Mas à medida em que os abusos ditatoriais nos demais países vão nos tornando insensíveis (anestesiados), a ditadura vai avançando aqui também. Coisas que nos pareciam abomináveis há 7 anos já nos parecem normais ou “quase normais”.

(Ou a população se indignou com a censura do Sarney ao Estadão? Ou do José Riva contra os blogues de Mato Grosso? Cadê os protestos de “ABAIXO A CENSURA”, que foram ouvidos mesmo durante a tão mal falada ditadura militar?)


Não vamos nos esquecer que todas que cercam o nosso presidente lutaram contra a democracia (sim, começaram antes de 1964!) para implantar uma ditadura comunista e não me recordo que algum deles, unzinho sequer, tenha manifestado arrependimento pelo passado terrorista ou demonstrado conversão às idéias democráticas.

Lula dá apoio à ditadura bolivariana no subcontinente (e a qualquer ditadura no mundo, mas aí é texto pra outro post) e em breve estas lhe darão apoio pra implantar a ditadura aqui.

Será que ninguém mais percebeu isso ainda?

21 julho 2009

Amigo ponto com

Para meus amigos reais, onde quer que estejam (São Paulo, Teresina, Taiwan, etc.): Feliz Dia do Amigo!
O que é um amigo à distância? É um amigo pior? Uma amizade menor? Permita-me perguntar de outra forma: o que é um amigo distante? Ficou mais difícil de responder, não é?

Você já esteve ao lado de um amigo de longa data que não prestava atenção no que você estava falando? Que não notou que você estava triste, chateado ou melancólico? O que você pensou? Aposto que foi “poxa, como o Fulano tá distante hoje”.

Se você consegue caracterizar como “distante” uma pessoa que está ao seu lado, por que não pode dizer que tem um amigo próximo que mora longe? Um grande amigo que mora do outro lado do mundo?

O DDD, o fax e, mais recentemente e de forma muito mais poderosa, a internet acabaram com qualquer distinção de distância. As empresas trocaram grandes escritórios por serviço feito em casa e enviado por email. As reuniões de gerentes regionais já não exigem deslocamentos aéreos - basta uma conexão rápida e um programa de teleconferência. Por que as relações afetivas iam ficar imunes a isso?

Antigamente era mais difícil que amigos que morassem longe fossem “próximos”. As cartas demoravam dias ou semanas para chegar e as notícias envelheciam antes de serem contadas. Em uma noite de desespero, de extrema tristeza, de que adiantava escrever uma carta para colocar no nos correios no dia seguinte e esperar uma semana pela resposta? Até lá a felicidade haveria de chegar. Ela ou o suicídio.

Ainda assim, grandes amizades se faziam ou se mantinham. Entre familiares, entre escritores, entre políticos. A tecnologia das comunicações subverteu o conceito de distância. Se há 30 anos uma ligação de Fortaleza a São Paulo demorava umas 3 horas, hoje eu ligo se quiser pro Japão por DDI. Ou por VOIP, que é melhor ainda. Sabendo o número (e russo), converso com a Estação Orbital Mir.

Se estou triste, ligo pra qualquer cidade do Brasil onde tenho amigos. Se espirro no Twitter, logo recebo uma dica de xarope por Direct Message. Converso sobre política no MSN e sobre relações humanas no GTalk.

Converso mais com pessoas a milhas de distância do que com meu vizinho, cujo nome, a propósito, não sei. Não são amigos virtuais e reais. Todos são reais. Alguns são “digitais” ou “eletrônicos” e outros são “convencionais”. Mal comparando, é como se fossem as cartas e os e-mails.

Só quem não percebeu que houve essa revolução das comunicações pode menosprezar o valor de uma amizade simplesmente porque as pessoas estão fisicamente distantes.

E quem não entende isso está mal preparado para o futuro.

07 julho 2009

Inflacionando as estatísticas sensoriais

Há na imprensa politicamente correta uma tendência a mascarar a nossa percepção dos fatos de forma a inflacionar a defesa da “causa”.

De vez em quando encontro, nos jornais, manchetes que chamam a atenção para vítimas de preconceitos. Uma hora é um homossexual, na outra um sem-terra, amanhã o que será? Uma releitura um pouco mais apurada da notícia, usando um mínimo de senso crítico, nos mostra que não é bem assim.

O professor universitário homossexual foi morto ao reagir a um assalto. O criminoso não perguntou suas preferências sexuais e só então atirou. O professor saía da aula às 10 horas da noite e havia deixado o seu carro em um local escuro, afastado da faculdade. (Na época achei que a notícia era um fato isolado, não uma tendência, e não guardei o link.) A manchete deveria ser “Professor universitário é morto em assalto” ou “Professor reage e morre em assalto” mas era algo como “Professor homossexual é assassinado brutalmente”.

Agora a manchete me chama a atenção: Cinco integrantes do MST são mortos em Pernambuco. No final da notícia, o próprio coordenador estadual do MST, Jaime Amorim, diz “não acreditar em motivações agrárias para o crime, já que o assentamento é consolidado e não apresenta registro de conflitos.”

Então por que a manchete não é “Cinco agricultores são mortos em Pernambuco”? Seria bem mais sensacionalista! Imediatamente o leitor imaginaria velhinhos com pele morena do sol e enrugada, com mãos calejadas, placidamente cavando a terra com suas enxadas. Teria curiosidade de ler para saber o que motivou alguém a matar os seus imaginados velhinhos.

Da forma como a manchete está, o leitor talvez nem leia a notícia pois, saturado de invasões de terra e conflitos pela (pretensa) reforma agrária, deduz (errado, neste caso) o resto da história. Então não se justifica pelo ponto de vista do sensacionalismo e da necessidade de atrair leitores.

Informação de verdade também não é, pois coloca no topo da página, com letras garrafais, um dado totalmente desconectado da notícia. Serem do MST, para o ocorrido, é tão importante quanto serem pernambucanos, terem o CPF com dígitos 83 ou possuírem celulares chineses. Talvez este último exemplo fosse até mais relevante, caso se provasse que são contrabandistas foragidos que não pagaram o tributo à máfia japonesa.

Então, se não é informação nem sensacionalismo, o que motiva o editor a colocar a sigla “MST” na manchete? Só posso crer que seja a tentativa de inflacionar as estatisticas sensoriais do leitor, ou seja, de provocar no leitor a simpatia pela causa dos sem-terras. Quanto mais manchetes tiverem mortes de integrantes do movimento, mais parecerá ao leitor desinformado e acrítico que a categoria é vítima da violência, que é injustiçada e perseguida.

Assim, não bastam os cadáveres das invasões criminosas provocadas pelo MST. O movimento se apropria até dos cadáveres que não lhe pertencem. Não bastam as verdadeiras vítimas de preconceitos, é preciso aumentar o número.

PS: Eu sei que falando coisas assim não me torno uma pessoa politicamente correta. Mas serei politicamente incorreta sempre que o “politicamente correto” for logicamente incorreto. Não tento justificar movimentos skinheads, acho que todo preconceito é condenável, ainda mais se passar das palavras às ações. Mas dai a César (só) o que é de César!

11 junho 2009

Feliz dia dos namorados, querido político

Abaixo transcrevo trechos da matéria “Dia dos Namorados: tributos podem representar até 78% do valor do presente” (link aqui), da InfoMoney e Portal MSN Brasil e comento em seguida.

A lista dos presentes mais cotados para o Dia dos Namorados faz a alegria do Leão. Isso porque, na hora de comprá-los, os apaixonados esquecem que em um simples buquê de flores ou mesmo nos tradicionais bombons há incidência de tributos.

Um perfume importado, por exemplo, carrega 78,43% de tributos. Considerando a média de preço de R$ 150, cerca de R$ 117 são destinados à carga tributária.

Já quem quiser presentear com um perfume nacional terá de arcar com 69,13% de tributos.Dependendo do produto escolhido, a carga tributária pode ser maior ou menor. Um aparelho de MP3, por exemplo, tem 49,45% de impostos embutidos, contra 17,71% das flores e 15,52% dos livros.
Em seguida mostra a tabela elaborada pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) com o percentual de impostos em vários produtos.

Naquele almoço ou jantar romântico, amigo leitor, você vai deixar quase 1/3 do que pedir para o leão. Se antes disso tiverem assistido a um cineminha, 30% do filme foi pros impostos. E não adianta tentar escapar. Se preferir um programa mais intimista, como um DVD acompanhado de um bom vinho, saiba que mais que a metade da garrafa será bebida pelo leão.

Em relação a outros presentes, escolha a mordida:
  • Artigos de vestuário tem mordidas variando de 34% a quase 60% (quando o Leão morde uma calça comprida, ela vira um shortinho bem escandaloso).
  • CDs e DVDs são cerca de 40% imposto (ou você achava que o único extra era o making of?).
  • Jóias são absurdamente taxadas: metade do que você paga é imposto! (Um brinco pra ela, outro pro leão).
  • Nos perfumes nacionais e importados, de 70% a 78% é o bafo do Leão!
  • Bombons e chocolates são 38% impostos e o resto é cacau. O mesmo percentual se aplica aos cartões.
E agora veja pra onde vão os impostos... Segurança pública? Saúde? Habitação? Basta olhar em volta pra ver que a maior parte deles passa longe da sua destinação.

Nosso dinheiro está pagando as viagens dos congressistas, a manicure e o batom da ministra da Casa Civil (e candidata do PT à presidência), os jantares dos ministros, os saques em dinheiro do cartão corporativo do Executivo, o nepotismo dissimulado dos senadores, os incontáveis auxílios que duplicam os já altos salários dos legisladores... (Assim é nos Poderes Executivo e Legislativo da nação, dos estados e dos municípios).

Então, “meu querido político”, a quem involuntariamente vou dar a maior parte do presente amanhã, peço desculpas por não chamar-te para estar fisicamente no nosso jantar romântico nem para convidar-te para assistir o filme conosco e tampouco dar-te bombons na boca ou beijinhos carinhosos.

É que apesar de dar-te mais que o dobro do que darei à pessoa a quem quero bem, esta me faz feliz enquanto Vossa Senhoria, “meu querido político”, me dá enjôo. Enquanto meu amor quer me ver sempre feliz e bem sucedido, Vossa Senhoria, “meu querido político”, quer tirar até minha última gota de sangue. A forma como Vossa Senhoria trata a coisa pública me dá nojo!

Então, “meu querido político”, eu não quero sua presença amanhã, no Dia dos Namorados. A propósito, queria que Vossa Senhoria sumisse amanhã para sempre!

Nada pessoal! Por favor, entenda...