28 abril 2008

O que você faz pra mudar o que não aprova? - II

JJ Trellez fez um comentário sobre o post abaixo que merece maior destaque, ou seja, deve ser citado na página principal e, por isso, resolvi transformá-lo em uma nova postagem.

Isso nem é tanto pelo fato de concordar inteiramente com ele, mas pela argumentação consistente. Se tivesse opinião contrária à minha e mantivesse o raciocínio lógico, seria publicado também. (Se bem que o raciocínio lógico sempre nos levará para as conclusões apontadas).

A classe média, única interessada a fazer algo para mudar o status quo, não tem tempo para isso. Precisa trabalhar, estudar, pagar contas, criar os filhos, cuidar dos pais idosos...

Espero que haja tempo, 5 minutos por dia, ao menos, para que a classe média tente mudar o que pode, para sua própria sobrevivência. Antes que seja tarde...

Pelo que se pode compreender do texto [O que você faz para mudar o que não aprova?], existem:

- Uma minoria que vive das regalias que o sistema lhe dá, não precisa que nada mude.

- Uma imensa massa de manobra, ‘dopada’ por assistencialismos e falsos benefícios.

- Uma classe média, achatada e arrochada, por uma economia presa ao capital especulativo, ou seja, volátil, impostos sufocantes e, para completar, tolhida de liberdade de expressão.

Mas o que fazer?

A 1ª categoria detem a maior parte do capital e o poder político (além de ir a Miami e a NY fazer compras regularmente), não quer mudar.

A 2ª categoria listada, que é a grande maioria da população, não quer mudar, ja que é facilmente manipulada pela 1ª, ainda que pense o contrário, pois age com rancor e ódio, ao ver que não possui o que a classe social imediatamente superior possui (e a culpa por isso, não por sua própria inaptidão e despreparo).

E quem é essa outra classe? Sim, é a classe média, que paga colégio, paga plano médico, que paga pedágio, que paga IOF, que paga inteira no cinema, enfim, que tudo paga e nada recebe do Estado.

(Aliás, a festa das carteiras de estudante fraudulentas é mais um ‘benefício’ que os estudantes, aqueles que deveriam ser mais conscientes, fazem-se de coitados para recebê-lo, ao invés de rechaçar tal suborno para ver cinema enlatado e de baixa qualidade).

Falta cobrar? Sim, falta. Mas quando? Esta classe precisa se preocupar em trabalhar, em empreender, em vencer impostos e custos altíssimos, não lhe resta tempo, tampouco energia para reivindicar.

E a quem restaria tal tempo e tal energia? Ao que não lhes interessa mudar o status quo da nação, vejam só!

Ciclo vicioso? Sim. País viciado? Talvez. Ou seria somente a vocação de uma terra, a de ser meramente explorada e espoliada, é “tirar pau-brasil e levar pra Europa”, é vender suco de laranja para os “States” e beber suco Del Valle embalado a vácuo, vindo do México (filial de língua asteca dos próprios “States”, que vive o mesmo dilema tupiniquim) ao triplo do preço.

Esta terra “deitada eternamente em berço esplêndido”, só vai acordar quando esta mesma classe média extinguir-se, ou por falência do próprio sistema ou por desistência, ao imigrarem para países socialmente mais equilibrados, como Canadá e Austrália.

E, sinceramente, quando chegarmos a este ponto, já será tarde, tarde demais.

18 abril 2008

O que você faz pra mudar o que não aprova?

Achei isso no excelente blog “Quando o Brasil me tira o sono” :
O preocupante é que há um corpo-mole da classe média para fazer oposição a Lula e ao PT. Obviamente ela não está satisfeita com o governo (e não só porque ele não a atende, mas porque ela é o único setor da sociedade capaz de perceber os erros estruturais, já que é a menos dependente do estado), e no entanto não se movimenta, não faz barulho, não se manifesta, não diz o que pensa.
Pois é... Quando a classe alta se sente prejudicada (geralmente quando não recebe algum empréstimo a juros baixos de um banco estatal), corre aos parlamentares ou aos governantes e faz pressão através de loobies (ou algo menos publicável).

Quando a classe baixa se sente prejudicada... Não, ela não se sente prejudicada pois está recebendo a bolsa-esmola viciante. Enquanto ganhar a dose mensal dessa cocaína do caráter, não se rebelará contra o traficante.

Resta a classe-média, que além de não receber nem a bolsa-esmola, nem a bolsa-BNDES, é o único setor da sociedade capaz de perceber os erros estruturais. Mas ela não se move!

Deixa eu ser mais claro: VOCÊ NÃO SE MOVE!

O link pra matéria toda está aqui.

14 abril 2008

Sobre certas coisas politicamente corretas - II

“Arrobaram” a língua portuguesa...

Outro dia me vi surpreendido por um texto no qual li “prezad@s coleg@s”. Primeiro imaginei o que seria aquilo... Um A com estilo? Um erro de digitação?

Uma amiga me contou que era um forma de tratar indistintivamente homens e mulheres. De acordo com a teoria, “amig@s” seria ao mesmo tempo “amigos” e “amigas”.

Achei a idéia tão estapafúrdia que resolvi nem citar a mensagem inicial: “car@s coleg@s” seria então o nascimento da expressão “caros colegos”? Haveria no futuro “@s integrant@s”?

Outra dúvida era como ler uma epressão como “prezad@s coleg@s”. Eu leria “prezadarrobas colegarrobas”?

Quanta idiotice! A palavra “amigos” pode muito bem englobar homens e mulheres, tanto que não há erro em dizer ou escrever “Clara é meu melhor amigo”. Fica feio, mas não errado. Outro exemplo: “Ana é o melhor aluno da turma”.

Se eu disser que ela é a melhor aluna, falo só das mulheres. Mas, querendo falar só dos homens, preciso particularizar de alguma forma e isso prova que “aluno” sozinho não se refere só aos homens. “Marcos é o melhor aluno entre os homens.”

Sobre certas coisas politicamente corretas - I

Afro-descendente... Como respeitar um afro-descendente? Não há meios... Dá pra respeitar um negro, um preto, um mulato...

Afro-descendente é um termo de quem tem vergonha da própria cor, de quem tem vergonha de sua bagagem cultural brasileira e busca numa fictícia mãe África as razões do seu orgulho.

A África não é mãe dos nossos negros. No máximo é bisavó. A identidade cultural do negro brasileiro é riquíssima e foi criada e modificada quase que completamente no Brasil. para ficar nos exemplos mais comuns: a capoeira foi inventada no Brasil, na senzala. O candomblé foi a combinação dos cultos africanos com o catolicismo do europeu, mistura genuinamente brasileira. A feijoada, invenção brasileira. O samba... Se você for à África, a todos os países africanos, não encontrará nada parecido com a capoeira, o candomblé, a feijoada ou o samba.

Talvez seja diferente na América Central ou nos Estados Unidos. Talvez lá os negros tenham conservado a cultura de seu país (e tribo) de origem. Mas não no Brasil. Aqui os negros fizeram como todos os brasileiros fazem, misturando, mesclando e assim inovando. Não começamos isso com o Movimento Antropofágico (da Semana de Arte Moderna de 1922). Começamos isso misturando luta com dança, Maria com Yemanjá, feijão com orelha de porco e muito ritmo.

É ridículo querer parecer um embaixador de algum país africano ou soberano de alguma tribo perdida. É renunciar à própria cultura (belíssima) trocando-a por uma que não lhe pertence. É ter vergonha de si mesmo. É ser colonizado. É ser preconceituoso contra si próprio.

Meu negro, se alguém disser que você é afro-descendente, pode ter certeza de que ele quer roubar sua identidade. Dê-lhe um pisão no pé e diga bem alto:
_ Afro-descendente, não! Eu sou um negro brasileiro e tenho orgulho disso!

22 março 2008

Imaturidade

Já falei desse assunto uma vez aqui no blog em Casais Imaturos. Essa semana mais uma mensagem no celular do tipo “não me ligue mais”...

Algumas pessoas não cansam de me decepcionar.

14 março 2008

Traição

Acabo de jogar fora dois textos prontos, por não gostar. Pior do que isso, eu não concordava com nenhum deles. Comecei com uma idéia e o raciocínio desenvolvido provou algo com que não concordo.

Odeio esses dias. Após vários dias sem inspiração, sem conseguir captar as idéias no ar, hoje elas me pregam essa peça: estão todas com a polaridade invertida.


A inspiração é algo um tanto irônico. Tem dias em que acordo no meio da noite e escrevo um texto inteiro. No dia seguinte, para publicar, basta corrigir alguns erros de português e tentar decifrar aquela palavra que o sono deixou meio mal desenhada no fim da página.


Já tive dias em que precisava parar de escrever porque, bem, era tarde e eu precisava dormir. Já desci do ônibus antes do ponto correto porque precisava de um papel e uma caneta e ninguém tinha, e corri a uma papelaria.


Já escrevi um texto completo no verso do caderno de provas de um vestibular (mesmo sabendo que jamais poderia levá-lo pra casa), só pra não deixar a idéia sem registro. (A propósito, perdi tempo na resolução da prova pra fazer isso, mas fui aprovado).


Mas também já rabisquei “palavras-chaves” no papel para depois desenvolver o texto e no outro dia não me lembrava. Uma dessas vezes eu juro que tinha um tratado internacional prontinho pra garantir a paz no Oriente Médio. (Bem, talvez não tanto...)


Já fiquei dias e dias sem conseguir escrever uma letra. Já tive branco na hora de expressar uma idéia, já usei palavras erradas, já fiquei sem palavras. Já coloquei uma palavra em francês porque não lembrava a tradução, já fiquei calado porque não queria dar minha opinião.


Mas hoje foi a primeira vez que elas me traíram. Fizeram-me escrever coisas com a quais não concordo, puxaram meu raciocínio para o lado oposto e tentaram me confundir a mente. Pois bem, foram pro lixo!

21 fevereiro 2008

Ex-pressões Pô Pulares - Pérolas

Esse texto tenho que publicar. Um pouco de humor faz bem... Veja as expressões abaixo. Conhece outras?

Ex-pressões Pô Pulares - Pérolas


Existem algumas expressões transformadas pela "sabedoria" popular que ficam muito, muito mais engraçadas que os termos originais.
  • Libras estrelinhas: chamar a moeda britânica de esterlina não tem o menor charme, sejamos honestos. Estrelinhas deixam o dinheiro bem mais meigo.
  • Chuva de granito: cubra sua casa hoje mesmo com chapas de aço! Porque, se a chuva deixar de trazer granizo para lançar pedras duras do céu, estamos lascados.
  • Trocar o fuzil: quando a luz apaga em toda a residência, pode ser um fusível queimado, e é só arrumar um novo. Mas se tem gente que prefere colocar armas de fogo no jogo, fique atento.
  • Larva de vulcão: É uma expressão divertida, mas bem nojenta de imaginar. Em vez de vulcão expelir lava, ele soltaria vermes para todo lado. Credo!
  • Casa germinada: Olhando para sobrados vizinhos, ninguém diria que eles nasceram de uma semente. Sim, porque é desse jeito que alguns chamam as casas geminadas, não é?
  • Poção de fritas: Está certo, algumas pessoas fazem mágica na cozinha. Mas nós queremos conhecer esse mestre-cuca que prepara uma porção de batata frita na base da feitiçaria.
  • Nervo asiático: Que dor no ciático, que nada! Os nervos deviam mesmo ser denominados segundo sua posição geográfica. “Torceu o pé? Xiii, vai doer o nervo antártico”.
  • Assustar o cheque: É um clássico, não? Quem liga para sustar as folhas do talão? Nós queremos é preparar um “bu!” e pregar sustos em todos eles - até serem cancelados pelo pavor.
  • Estado de goma: Saber de um doente que ficou em estado de coma não é engraçado, claro. Já ouvir que o sujeito quase virou bala é uma tentação para o riso. Desculpe, mas é.
  • Vento encarnado: Levar uma rajada de vento encanado pode causar um resfriado. Mas, muito cuidado! Se o vento também vier possuído por um espírito, será bem pior!

12 fevereiro 2008

“Eu te amo” às vezes machuca

A vida muitas vezes é tão surreal!

(Mal publiquei um texto sobre mensagens de celular e vou colocar outro.)

Após várias mensagens carinhosas, entre elas:
Scott, te adoro!
(Errou meu nome, mas tudo bem... Geralmente as pessoas erram mesmo.)

Recebo a seguinte:
Scott se tudo der certo aqui vou tentar ir agora a noite colocar suas fotos tah? TENTAR! Hehe bjo! Te amu! . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Fotos? Quais fotos? Ela estava falando com o Scotch errado... Seria cômico se não fosse trágico.

10 fevereiro 2008

Casais imaturos

Ano passado mandei uma mensagem pra uma pessoa no Orkut (sim, eu tinha perfil no Orkut). Simples, dizia somente “sonhei contigo na noite passada”. Não dizia ter sido sonho erótico nem nada perto disso (até por falta de motivos). Poderia ter sido até um sonho premonitório, quem sabe? O namorado dela me esculhambou, fez ela me tirar da lista de amigos e me adicionar na lista de “ignorados”.

Eu tinha pouco contato com ela. Poderia mesmo representar uma ameaça à estabilidade do casal?

Ainda em 2007, mandei uma mensagem para o celular de outra amiga, perguntando quando ela viria para minha cidade e terminava com “saudades”. Não tinha “eu te amo”, não dizia “saudades do teu beijo” nem nada assim, até porque não havia motivo. O inseguro namoradinho dela (os homens às vezes são tão imaturos) ligou de volta, me esculhambou (estou me acostumando com isso) e ela me pediu para nunca mais ligar ou passar mensagens (“ordenou” seria a palavra correta, se ela pudesse mandar em mim).

Não sei como eu poderia ameaçar o casal, morando em outra cidade e vendo a Marianna (nomes alterados para manter o anonimato) no máximo três vezes por ano...

Mas eu não aprendo mesmo. Dia 30 de janeiro foi aniversário dela e mandei a seguinte mensagem atrasada:
Marianna, meus parabéns atrasados. Lembrei no dia mas estava sem crédito. Felicidades! Scotch (vizinho)
Oh! Pra quê? Quer a resposta? Dia 7 de fevereiro (ela ficou um tempão ensaiando a resposta...)
Vi tua msg. Mas p evita problema ñ me manda mais msg pq vc ja me causo problema antes mandando msg. Marianna
Às vezes a gente tem carinho por uma pessoa sem querer nada em troca, sem segundas intenções. Era o caso. Percebi que ela estava cometendo um erro, se deixando dominar por um carinha inseguro que no futuro, provavelmente, ia bater nela se sonhasse que ela sorriu pra alguém. Tentei avisar:
Nem se preocupe. Você escolhe quem são seus amigos e como age com eles. Aquela e essa são as últimas. Um dia você vai perceber o erro de cortar amigos por amores. Fica com Deus.
Mas tem gente que não vê o erro que está cometendo nem se um aviso neon vermelho piscasse na frente dos olhos.
Ñ to cometendo erro algum. Só ñ qro problemas. Tchau. Marianna
Se o que ela não quer é problemas com o namorado, a probabilidade é que os tenha no futuro. Se por causa de uma inocente mensagem de amizade ele a fez parar de falar comigo, imagina o que faz com eventuais amigos que ela tenha na cidade deles! E também o que poderá fazer quando (se) casarem...

Não sei por que os namorados se sentem tão ameaçados por tão pouco. E chega desse assunto! Escrevi demais por pessoas que não mereciam nem uma linha.

07 fevereiro 2008

Exercício de Paciência II

Novos textos
em breve...

22 janeiro 2008

Exercício de Paciência I

Tosse.
Coriza.
Febre.
Mal estar e dores no corpo.

Xarope.
Comprimido.
Chá.
Uma gripe dura sete dias.

10 janeiro 2008

A política e os porcos

Nas conversas sobre política, inevitavelmente alguém argumenta que a esta é um jogo sujo.

A afirmação de que é um jogo mesquinho e corrupto serve apenas para afastar o homem honesto da política, gerando uma apatia que perpetua o jogo sujo estabelecido.

Entretanto são esses políticos que tomarão as decisões que dizem respeito aos aspectos mais íntimos e cotidianos da nossa vida.

Nossos pais ansiaram e lutaram pela democracia e pelo direito de participação política. Deixaremos nós, apenas uma geração após, que todo o legado de luta e conquistas seja jogado no lixo, ou dizendo melhor, seja atirado aos porcos?

Se os maus tomam conta da política é por causa do silêncio dos bons. Para que o mal triunfe, basta que o bem se omita?

Se a política é suja, é porque deixamos os porcos sozinhos cuidando dela.

06 janeiro 2008

Feliz Ano Novo

Enquanto termino uns trabalhos que têm me ocupado mais que o desejável, coloco pra vocês um post do Guil, que tem o excelente blog átomo - idéias em fusão. Foi escrito por ele, mas bem que poderia ser escrito por mim...

No meu último post no BLOGuil, eu inventei uma nova seção, a Seção Exumação. Antes que alguém se assuste com o nome, trata-se de fotos de coisas dos anos 80, como a caneta Kilométrica, que inaugurou a seção, seguida de uma pequena descrição do que seria aquela coisa, para quem não sabe ou não se lembra. Eu tenho várias coisas dos anos 80 aqui em casa, e esse foi um dos motivos pelos quais eu decidi criar essa seção. O outro motivo é mais pessoal: Eu tenho muita saudade dessa época.

Eu não escondo isso de ninguém, e todo mundo sabe que eu sou fanático pelos anos 80, mas um comentário da Angelrose me fez refletir e escrever este post mais sério. Ela disse algo do tipo "tão novinhos e tão saudosos".

Realmente eu nunca tinha pensado nisso. Para quem não sabe, eu fiz 25 anos mês passado. Não me considero velho, muito pelo contrário - apesar de sempre brincar dizendo coisas do tipo "quando eu era pequeno as crianças não sabiam o que era sexo, devo estar ficando velho", talvez em uma reflexão crítica inconsciente quanto ao rumo da sociedade. Não sendo tão velho, teoricamente, eu não teria tantos motivos para sentir saudade. Qual seria a razão, então, de eu sentir saudade de simplesmente tudo o que me aconteceu em minha não-tão-distante-assim infância?

Talvez fosse aquela uma época mais feliz. Tinha a Guerra Fria e um restinho da ditadura, é verdade, mas ninguém tinha medo de sair na rua, nem de ficar em casa desempregado pelo resto da vida. Eu costumava dizer, em minha adolescência, que as últimas pessoas que tiveram infâncias felizes foram as que nasceram em 1981. As demais já pegaram uma programação cheia de sexo, violência urbana e power rangers. E quando eu digo "programação", não estamos restritos às telinhas das tevês. Quando eu era pequeno, contava nos dedos os amigos que tinham pais separados: um. Hoje em dia, se você for a qualquer reunião de pais de escolas primárias, vai achar um montão. As músicas não tinham duplo sentido - e, quando o tinham, era político, não sexual. O dinheiro já era importante, é claro, mas não era justificativa para tudo - você sabe que alguma coisa está errada quando todos os brinquedos têm a cara do Gugu.

De uma forma geral, acho que era uma época mais inocente, não porque eu era criança, mas porque toda a sociedade, de forma geral, era menos preocupada com certos vícios, e mais agarrada a certos valores. Acho que eu tinha uns 10 anos quando descobri como as pessoas faziam sexo, e levei um susto - não, eu não vi uma demonstração prática - mas, hoje em dia, com a desculpa de que "precisamos ter crianças bem informadas", qualquer menininha de quatro anos já sabe até algumas posições. Eu jogava pac-man e banco imobiliário, hoje o sobrinho de um amigo meu só quer saber de ver raios enormes e gente explodindo no Dragon Ball, tanto na tv quanto no videogame. Eu só ouvia Xuxa e Balão Mágico, e nem tinha vontade de ouvir "música de adulto". Há uns anos atrás conheci uma menina de 3 anos que sabia todas as coreografias do É O Tchan.

Eu não vou dizer aqui que tudo isso está errado. A sociedade mudou, "evoluiu". Não é errado, apenas diferente. Mas isso me entristece. Fico pensando como será quando eu tiver que criar os meus filhos, se a coisa continuar caminhando dessa maneira. E toda vez que vejo meu astronautinha do Tente na estante, ouço Kayleigh ou assisto a um replay da TV Pirata no Video Show me dá saudade. Talvez não de ser criança, mas simplesmente de ter vivido nos anos 80.
(Postado dia 09 de
abril de 2003 em http://atomo.blogspot.com/2003_04_09_atomo_archive.html)

Pois é... Um feliz ano novo pra todos vocês... Por hora ainda estou no ano velho. Meu calendário mostra 2008 mas ainda tenho várias tarefas de 2007 pra terminar, além dessa saudade de ter vivido nos anos 80.

07 dezembro 2007

Só não pode faltar dinheiro pra mim

Notícias dos jornais em 2007:
  • Governo Federal diz que sem CPMF faltará dinheiro pra saúde
  • Prefeito de cidade X (no litoral) diz que falta recursos para deixar estradas para as praias transitáveis
  • Secretário de Saúde de cidade Y diz que não há verba para consertar ambulância
  • Secretário de Saúde estadual diz que faltam recursos para um combate eficiente à dengue
  • Governador busca recursos em organismos internacionais para concluir estradas
Como é que é? Faltam recursos?

Como podem faltar, se vereadores, prefeitos, deputados (estaduais e federais), governadores, senadores e presidente, todos aprovam aumentos em seus salários ou gratificações?

Como podem faltar recursos se ampliam-se o número de cargos comissionados para serem preenchidos pelos partidários dos governantes?

Como pode faltar dinheiro para as obras de saúde, educação e infra-estrutura se a arrecadação bate recordes ano após ano?

Da próxima vez que vierem me cobrar impostos, a vontade que tenho é de falar que eu gostaria muito de pagar, mas me faltam recursos.

13 novembro 2007

Insomnia 2

“In girum imus nocte et consumimur igni”

Essa frase latina pode ser lida de trás pra frente e tanto faz, como as noites acordado, buscando o sentido da vida e de tudo o que ocorre ou então uma forma de conseguir realizar o sonho tão longamente esperado.

Tanto faz a ordem dos pensamento à noite ou a ordem em que se lê a frase: andamos em círculos à noite e somos consumidos pelo fogo.

30 outubro 2007

Insomnia


Definitivamente tem algo que “tá” tirando meu sono.

(e não é o café...)

29 outubro 2007

O de Dante e o dos outros

Acabamos de completar 19 anos da promulgação da “Constituição Cidadã”. Aqui e acolá ouço gente maldizer a democracia, ao mesmo tempo em que nosso governantes minam as instituições democráticas para concentrar o poder em suas mãos.

O povo, ingênuo ou besta, achou que a simples assinatura da Carta Magna seria capaz de melhorar sua vida. As coisas não são assim... A democracia é um processo, um aprendizado onde povo e instituições interagem se adaptando e (tomara) aperfeiçoando.

O que são 19 ou 20 anos na história de um país? NADA! São como 19 ou 20 semanas na idade de uma pessoa. É preciso tempo para colher os frutos, é preciso vigilância e perseverança.

O povo, que esperava o milagre “por decreto”, a instantânea salvação assim que fosse assinada a Constituição, conta o tempo em segundos e acha que 20 anos são uma eternidade. Cansa-se da democracia, da obrigação de vigiar e tem-na por coisa barata.

Não percebe que aos poucos se muda o mundo (ou ao menos a pátria). Hoje, quase 20 anos após a promulgação da Constituição, começam a chegar aos postos de comando das empresas, dos tribunais e das instituições em geral as crianças de 1988. Cidadãos que não têm na formação nenhuma memória e tampouco costume das atitudes típicas da ditadura (opressão, favorecimento de uns e outros baseados em características subjetivas, etc.).

Na ditadura encontrávamos no comando pessoas que faziam o que bem queriam. De 1988 em diante, eram pessoas que faziam o correto porque eram fiscalizadas, porque se não agissem de acordo com as normas seriam punidas (mas, como primeiro precisavam ser pegas, buscavam sempre dar um jeito de burlar a fiscalização ou a norma).

Aos poucos o cenário muda para termos nas posições de chefia pessoas preocupadas em fazer o certo porque é o melhor para todos, porque se não for feito o melhor o país “vai à falência” e adeus galinha dos ovos de ouro!

No futuro, daqui a 20, 40 ou 60 anos, teremos nas posições de comando nossos filhos e netos e, talvez, eles façam o que é certo não por medo de serem pegos nem por ser o melhor para o país. Eles farão o certo porque não verão alternativa, não saberão fazer de outra forma, não conseguirão burlar ou fazer uso do “jeitinho”, suas consciências os impedirão de agir errado.

Farão o certo não por medo ou responsabilidade, mas porque fazer o certo é o certo a se fazer, sem alternativa.

24 outubro 2007

O jogo da Pollyanna

Semana passada fui comprar um livro acadêmico e enquanto esperava o vendedor procurar nas estantes, arquivos, sistemas, caixas etc. meus olhos encontraram o livro “Pollyanna”.

Seria a tão irritantezinha garota que praticamente me proíbe de reclamar de algo? Passei toda a minha infância e boa parte da juventude ouvindo alguém me mandando “fazer o jogo do contente”. Ainda hoje há quem fale isso.

Peguei o livro da estante dos livros infantis (ainda sou criança, você não?) e folheei rapidamente... Sim, era a tal, a que desejava conhecer pra entender. Seria possível alguém ser tão irritantemente otimista?

O vendedor chegou com o livro. Acrescentei Pollyanna, paguei e saí.

Descobri que Pollyanna não é chata e que o jogo do contente é ótimo. Mas há uma grande diferença entre ficar contente com qualquer situação e ficar contente em qualquer situação.

Pense nisso. Depois volto a esse assunto.

26 setembro 2007

Sobremesa diet para consciência zero

Vi uma matéria revoltante no Yahoo! Brasil Notícias (link): Sobremesa mais cara do mundo custa US$ 14.500

Transcrevo-a na íntegra:
Colombo, 25 set (EFE).- Um luxuoso hotel do Sri Lanka oferece o que, segundo seus criadores, é a sobremesa mais cara do mundo, com frutas, pão de ouro e champanhe, ao custo de US$ 14.500.

A sobremesa é um dos pratos principais do hotel "The Fortress", da cidade litorânea de Galle, um dos centros turísticos da ilha.

"O que torna a sobremesa cara é a água-marinha de 80 quilates que colocamos sob a figura de chocolate como decoração", afirmou o chef do hotel, Wije Kone.

Com o sugestivo nome "A Fortaleza do Indulgente Pescador Ancudo", a sobremesa é uma tentativa da equipe culinária do hotel de criar uma "representação simbólica" do ambiente exótico que o estabelecimento oferece a seus clientes.

O prato é uma combinação de pão de ouro e prata com cassata italiana, Irish cream, manga e champanhe como base do exótico doce, decorado com uma escultura de chocolate que representa um pescador, apoiado sobre uma estrutura que sustenta a água-marinha.

"As águas-marinhas são fornecidas pela Corporação de Pedras Preciosas do Sri Lanka", afirmou Kone, que acrescentou que o doce vem em um cilindro de calda de açúcar cristalizada.

Segundo a lenda regional, a água-marinha possui poderes relaxantes e de cura e tem efeitos positivos nas relações humanas, valores que a direção do hotel quer tornar seus.

A cor azul da pedra preciosa pretende ser reflexo do oceano, uma das principais atrações que levam os turistas a Galle, enquanto o pescador é o símbolo do hotel.

Segundo a empresa, várias pessoas mostraram seu interesse em degustar a delícia.

Agência EFE

Ah, as fotos não são da notícia, tá... Mas eram nelas que eu pensava enquanto lia a notícia.

08 setembro 2007

Velocidades

Às vezes a vida está tão corrida que não dá tempo de escrever.
Outras vezes ela está tão parada que não há o que contar.

Nossa vida está de um dos dois jeitos...
(Alesya, Aleste e Scotch)