(texto de Richard Bach, autor também de “Fernão Capelo Gaivota” e outros ótimos livros)
Sempre achei os pilotos de aviões de carreira os aviadores mais profissionais do mundo - estivessem eles a caminho da sua aeronave, atravessando a pista de concreto com as sacolas de avião na mão ou no comando de um quadrimotor a caminho dos quinze mil metros. E “mais profissionais” quer dizer mais bem pagos e melhores. Eu nunca poderia pensar em me tornar o melhor piloto do mundo se não pilotasse um avião de carreira e, além disso, o dinheiro. É um quadro lógico, que sempre atraiu muita gente.
Após ter relutado durante anos quanto ao que eu temia fosse apenas um exercício de direção de ônibus aéreo, chato como quê, decidi que talvez eu tivesse um preconceito estranho contra as companhias aéreas. Se realmente sou um piloto fora de série, com excelentes conhecimentos de vôo e de céu, pensei, o único lugar adequado para mim é a bordo de algum Boeing e, quanto mais cedo, melhor. Dirigi-me imediatamente à United Air Lines. Dei-lhes todas as minhas listas de tempo de vôo, números de certificados e tipos de aviões por mim pilotados tudo isso com plena confiança porque sei que, se há algo que eu sou capaz de fazer, é pilotar um avião. Planejava comprar o Beech Staggerwing e o Spitfire e o Midget Mustang e o planador Libelle o mais rápido possível, com o meu ordenado de comandante de avião comercial.
Os exames para o cargo incluíram um que testava a minha personalidade.
Responda sim ou não, por favor: Existe apenas um Deus verdadeiro?
Sim ou não: Os detalhes são muito importantes?
Sim ou não: Sempre se deve dizer a verdade?
Sim ou não. Humm. Meditei um bocado para responder a esse teste. E fracassei.
Um amigo, piloto da United, riu quando eu lhe contei o que tinha acontecido.
- Dick, para fazer esse teste, a gente primeiro faz um curso! A gente se matricula numa escola, paga cem dólares e eles lhe dizem quais são as respostas que as companhias querem, você dá as respostas certas e é contratado. Não vai me dizer que respondeu às perguntas da sua cabeça, vai? Certo ou errado: “O azul é mais bonito do que o vermelho?” - Você respondeu a isso sozinho?
Resolvi, então, achar uma maneira de driblar esse teste. Não havia a menor dúvida de que eu seria um magnifico comandante de avião comercial, mas o teste era uma pedra no meu caminho. Contudo, antes de pagar os cem dólares, achei por bem indagar sobre a vida de um piloto de companhia aérea.
Vidinha nada má. Depois de um ou dois anos, a gente até se sente culpado de levar para casa um cheque daquele tamanho por fazer uma coisa que pode ser considerada como um divertimento. Naturalmente, a pessoa precisa corresponder. Os sapatos precisam estar bem engraxados, a gravata com o nó bem dado. É preciso, claro, seguir todos os regulamentos, pertencer ao sindicato, andar de cabelo bem aparado e não é aconselhável sugerir melhorias técnicas a pilotos empregados há mais tempo.
A lista continuava mas, por essa altura, comecei a sentir estranhas hesitações no fundo do meu ser. Afinal de contas, eu podia ser o maior aviador da companhia, podia pilotar com absoluta precisão, esforçar-me por melhorar sempre Mas, se o meu cabelo não estivesse cortado segundo o modelo indicado, eu não seria o homem perfeito para ocupar o cargo. E, se eu me recusasse a entrar para o sindicato, por estranho que pareça, não seria um bom funcionário. E, se me lembrasse de dizer a um comandante como é que ele deveria voar. . .
Quanto mais o meu eu interior falava, mais eu achava que a United fizera bem em me reprovar. Não basta dominar os controles, o leme, instrumentos e sistemas. Eu nunca seria um bom piloto comercial e, rebelde por natureza às normas de todas as companhias, provavelmente seria um horrível piloto de carteira.
As grandes companhias de aviação sempre tinham sido uma espécie de nebuloso Walhalla para mim, uma terra que sempre necessitaria de pilotos, que sempre pagaria aquele cheque de ouro em troca de algumas horas mensais pilotando um transporte a jato elegantemente equipado e perfeitamente conservado. Agora, o meu pequeno paraíso fora por água abaixo. Eles não são os melhores, afinal. São apenas pilotos de companhia.
E assim voltei para o meu pequeno biplano e troquei o óleo e liguei o motor e rolei pela pista, colarinho desabotoado, sapatos cambados, cabelos que não viam tesoura havia duas semanas. E lá em cima, empoleirado na beira de uma nuvem de verão, olhando, da minha carlinga, por sobre uma paisagem verde-paz, toda brilhante de sol e lavada pelo céu ilimitado, tive de admitir que, se não podia ter um paraíso de piloto comercial, aquele ali serviria, até que algo melhor aparecesse.
Um pouco de reflexão, um pouco de sociologia, um pouco de psicologia, um pouco de tudo... Depende do que vier à cabeça quando o sono bate.
30 junho 2008
15 junho 2008
12 junho 2008
Procrastinação
Daqui a pouco eu faço...
Hoje à tarde eu faço...
O tempo passa
E logo já é noite.
Então amanhã faço...
Na segunda eu faço...
Os dias passam.
E logo já é tarde.
Hoje à tarde eu faço...
O tempo passa
E logo já é noite.
Então amanhã faço...
Na segunda eu faço...
Os dias passam.
E logo já é tarde.
PS: Nos comentários uma linda poesia (em inglês, mas com a tradução) sobre o mesmo tema.
02 junho 2008
Autoria
Já falei sobre a questão de autoria de textos que correm pela Internet em “Como dizia Aristóteles...”, quando textos são atribuídos a autores que jamais os escreveram. Vítimas freqüentes são Arnaldo Jabor e Luís Fernando Veríssimo.
Quem não conhece o texto “Marionete de Pano”, de Gabriel García Marquez? Quer saber? Ninguém conhece! G. G. Marquez jamais escreveu esse texto, como se prova aqui.
E “Instantes”, de Jorge Luís Borges, que nunca o escreveu? A prova está aqui.
Em uma página do Jornal da Poesia temos vários exemplos:
Hoje aconteceu comigo o contrário. Um texto que publiquei sem autor (pois o havia recebido sem assinatura ou qualquer indicação de autoria) em “Felicidade” ganhou seu pai... Trata-se na verdade do texto “Revolução da Alma”, de Paulo Roberto Gaefke, que me mandou o seguinte comentário:
Quem não conhece o texto “Marionete de Pano”, de Gabriel García Marquez? Quer saber? Ninguém conhece! G. G. Marquez jamais escreveu esse texto, como se prova aqui.
E “Instantes”, de Jorge Luís Borges, que nunca o escreveu? A prova está aqui.
Em uma página do Jornal da Poesia temos vários exemplos:
- “No caminho com Maiakóvski”, que não é de Maiakóvski, nem de Martin Niemöller, mas de Eduardo Alves da Costa (abordei-o no texto “ATÉ QUANDO?”);
- “Procura-se um amigo”, que não é de Vinicius de Moraes;
- “Ter namorado”, que não é de Drummond;
- “Orgulhosa”, que não é de Castro Alves;
- “Não te amo mais”, um poeminha para ser lido de cabeça para cima e de cabeça para baixo, que não é de Clarice Lispector.
Hoje aconteceu comigo o contrário. Um texto que publiquei sem autor (pois o havia recebido sem assinatura ou qualquer indicação de autoria) em “Felicidade” ganhou seu pai... Trata-se na verdade do texto “Revolução da Alma”, de Paulo Roberto Gaefke, que me mandou o seguinte comentário:
“É uma honra para mim, ter um texto de minha autoria nesse site tão bem feito e interessante. Gostaria apenas de solicitar a inclusão do meu nome como autor do mesmo, pois Revolução da Alma está em meu livro ‘Decidi ser Feliz’ e se desejar, pode visitar meu site www.meuanjo.com.br e ver outras mensagens que escrevi nesses 8 anos.”Agradeço os elogios, visitarei o site e certamente comprarei o livro. Eu também decidi ser feliz há algum tempo!
26 maio 2008
Sempre há algo a mais
O encarregado do escritório de patente dos EUA (U.S. Office of Patents), Charles H. Duell, escreveu em 1899 uma carta ao presidente pedindo a extinção do órgão que chefiava pois este não teria mais utilidade. De acordo com ele, “tudo o que podia ser inventado já o foi”.
O filósofo e economista político Francis Fukuyama escreveu em 1989 um artigo chamado “O fim da história” e em 1992 a obra “O fim da história e o último homem”. De acordo com esse autor americano de origem nipônica, nada mais aconteceria de importante na história após a queda do Muro de Berlim.
Obviamente continuam inventando coisas e os fatos históricos continuam acontecendo. Se tais previsões, feitas por especialistas, estavam erradas, o que me faria supor que a minha estava certa?
Supus um dia que já tinha aprendido tudo sobre relacionamentos e auto-conhecimento. Achei que havia aprendido tudo, amadurecido totalmente, levado todas as pancadas que merecia e quebrado a cara todas as vezes que poderia. (Enfim, que havia esgotado todas as possibilidades de erro em um relacionamento).
Estava completamente equivocado: sempre há algo a mais para aprender. Sempre há um passo a mais rumo ao total amadurecimento. Aqui e acolá se descobre um aspecto antes oculto, um ponto que precisa melhorar, um capricho de temperamento que necessitamos eliminar.
Cada vez que penso ter aprendido tudo, a vida me apresenta novos desafios, como se eu fosse um aluno que houvesse passado de ano e agora tivesse que resolver equações mais complicadas.
Mas quantas séries tem a escola da vida? Depende da vida que você quer ter. Eu escolhi ser completamente feliz e para isso preciso fazer até “pós-graduação”... Pelos meus cálculos, pelo número de vezes que “passei de ano” (leia-se “quebrei a cara”), devo estar perto de “PhD”. (Se não estiver, talvez me contente só com o “mestrado”...)
Após a formatura, espero, só restarão pequenos ajustes no temperamento e no jeito de ser: coisinhas facilmente contornáveis no dia-a-dia, atritos mínimos que não custarão o fim de um relacionamento. A imaturidade (a maior parte, pelo menos) será coisa do passado.
Sempre haverá algo a aprender e um pouco mais pra amadurecer. Mas dessa vez, mais do que nunca, espero não ter que “passar de ano”. Chega um tempo em que é hora de ser feliz!
O filósofo e economista político Francis Fukuyama escreveu em 1989 um artigo chamado “O fim da história” e em 1992 a obra “O fim da história e o último homem”. De acordo com esse autor americano de origem nipônica, nada mais aconteceria de importante na história após a queda do Muro de Berlim.
Obviamente continuam inventando coisas e os fatos históricos continuam acontecendo. Se tais previsões, feitas por especialistas, estavam erradas, o que me faria supor que a minha estava certa?
Supus um dia que já tinha aprendido tudo sobre relacionamentos e auto-conhecimento. Achei que havia aprendido tudo, amadurecido totalmente, levado todas as pancadas que merecia e quebrado a cara todas as vezes que poderia. (Enfim, que havia esgotado todas as possibilidades de erro em um relacionamento).
Estava completamente equivocado: sempre há algo a mais para aprender. Sempre há um passo a mais rumo ao total amadurecimento. Aqui e acolá se descobre um aspecto antes oculto, um ponto que precisa melhorar, um capricho de temperamento que necessitamos eliminar.
Cada vez que penso ter aprendido tudo, a vida me apresenta novos desafios, como se eu fosse um aluno que houvesse passado de ano e agora tivesse que resolver equações mais complicadas.
Mas quantas séries tem a escola da vida? Depende da vida que você quer ter. Eu escolhi ser completamente feliz e para isso preciso fazer até “pós-graduação”... Pelos meus cálculos, pelo número de vezes que “passei de ano” (leia-se “quebrei a cara”), devo estar perto de “PhD”. (Se não estiver, talvez me contente só com o “mestrado”...)
Após a formatura, espero, só restarão pequenos ajustes no temperamento e no jeito de ser: coisinhas facilmente contornáveis no dia-a-dia, atritos mínimos que não custarão o fim de um relacionamento. A imaturidade (a maior parte, pelo menos) será coisa do passado.
Sempre haverá algo a aprender e um pouco mais pra amadurecer. Mas dessa vez, mais do que nunca, espero não ter que “passar de ano”. Chega um tempo em que é hora de ser feliz!
25 maio 2008
Louco seria se eu não seguisse o caminho do amor
Esse é um texto do livro “O Profeta”, de Gibran Kahlil Gibran. É um livro muito bonito, com lições de vida e é facilmente encontrado em livrarias e até em bancas de jornal por um preço bom, pois faz parte da coleção “A Obra Prima de Cada Autor”, da Editora Martin Claret. (Não ganho nada por esse patrocínio.)
O texto inteiro é lindo, mas se tivesse que destacar uma só parte, seria esta:
O Amor
Então, Almitra disse: “Fala-nos do amor.”
E ele ergueu a fronte e olhou para a multidão,
e um silêncio caiu sobre todos, e com uma voz forte, disse:
Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos
Como o vento devasta o jardim.
Pois, da mesma forma que o amor vos coroa,
Assim ele vos crucifica.
E da mesma forma que contribui para vosso crescimento,
Trabalha para vossa queda.
E da mesma forma que alcança vossa altura
E acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes
E as sacode no seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma
No pão místico do banquete divino.
Todas essas coisas, o amor operará em vós
Para que conheçais os segredos de vossos corações
E, com esse conhecimento,
Vos convertais no pão místico do banquete divino.
Todavia, se no vosso temor,
Procurardes somente a paz do amor e o gozo do amor,
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez
E abandonásseis a eira do amor,
Para entrar num mundo sem estações,
Onde rireis, mas não todos os vossos risos,
E chorareis, mas não todas as vossas lágrimas.
O amor nada dá senão de si próprio
E nada recebe senão de si próprio.
O amor não possui, nem se deixa possuir.
Porque o amor basta-se a si mesmo.
Quando um de vós ama, que não diga:
“Deus está no meu coração”,
Mas que diga antes:
“Eu estou no coração de Deus”.
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor,
Pois o amor, se vos achar dignos,
Determinará ele próprio o vosso curso.
O amor não tem outro desejo
Senão o de atingir a sua plenitude.
Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos,
Sejam estes os vossos desejos:
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho
Que canta sua melodia para a noite;
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada;
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e com alegria;
De acordardes na aurora com o coração alado
E agradecerdes por um novo dia de amor;
De descansardes ao meio-dia
E meditardes sobre o êxtase do amor;
De voltardes para casa à noite com gratidão;
E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado,
E nos lábios uma canção de bem-aventurança.
O texto inteiro é lindo, mas se tivesse que destacar uma só parte, seria esta:
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor,Quando o amor vos chamar, segui-o!
Pois o amor, se vos achar dignos,
Determinará ele próprio o vosso curso.
23 maio 2008
No ônibus
Viajar de ônibus é uma experiência enriquecedora. Você fica totalmente à mercê do motorista, alguém que você não conhece, que decide aonde vai e com que velocidade.
Nada do que você fizer poderá influir no rumo do ônibus. Pode ler, ouvir música, estudar, dormir, olhar a paisagem ou conversar com um colega de viagem. Nada, absolutamente nada muda em relação ao trajeto e tempo de viagem. Não a tornará mais lenta ou mais rápida, não alterará o caminho.
Eu costumava observar as placas de quilometragem nas rodovias e a partir delas calculava a distância que faltava, a velocidade do ônibus e, conseqüentemente, a hora de chegada. Havia nisso uma ilusão de controlar o ônibus, como a ilusão do galo que pensa fazer o Sol nascer com seu canto. Assim como a aurora independe do cantar do galo, calculando ou não a hora de chegada, chego na rodoviária às 18h30 (ou 5h30, dependendo do destino).
Viajando de ônibus, você pode ter a ilusão de controlar algo, na verdade não controla coisa alguma e ainda assim (ou talvez até mesmo por isso) dá tudo certo.
O que mais você pode deixar de controlar para dar certo?
Nada do que você fizer poderá influir no rumo do ônibus. Pode ler, ouvir música, estudar, dormir, olhar a paisagem ou conversar com um colega de viagem. Nada, absolutamente nada muda em relação ao trajeto e tempo de viagem. Não a tornará mais lenta ou mais rápida, não alterará o caminho.
Eu costumava observar as placas de quilometragem nas rodovias e a partir delas calculava a distância que faltava, a velocidade do ônibus e, conseqüentemente, a hora de chegada. Havia nisso uma ilusão de controlar o ônibus, como a ilusão do galo que pensa fazer o Sol nascer com seu canto. Assim como a aurora independe do cantar do galo, calculando ou não a hora de chegada, chego na rodoviária às 18h30 (ou 5h30, dependendo do destino).
Viajando de ônibus, você pode ter a ilusão de controlar algo, na verdade não controla coisa alguma e ainda assim (ou talvez até mesmo por isso) dá tudo certo.
O que mais você pode deixar de controlar para dar certo?
03 maio 2008
Rally
Preciso aceitar o fato de que jamais terei o controle da minha vida.
Por mais que eu tente prever tudo, por mais que eu tente evitar todos os acidentes, sempre pode haver algo imprevisto, improvável, impossível, imponderável e tantos outros “im”s que causarão alguns estragos.
Posso me cercar de todos os cuidados, de todas as atenções. Posso mesmo cercar de cuidados e atenções as pessoas que amo e demais entes queridos, mas sempre pode acontecer algo indesejável.
É impossível cuidar de tudo, é impossível evitar tudo. Pode cair uma chuva num dia de praia, pode chegar um tornado durante a viagem ao campo, pode cair um meteoro na hora de dizer “eu te amo”.
E pode simplesmente haver um mal entendido, uma palavra solta, um olhar mal explicado, um recado na secretária eletrônica, uma buzinada no trânsito. De uma hora pra outra os ânimos podem mudar.
A gente quer que a vida seja perfeita e sem saltos, mas ela é cheia de surpresas. A gente quer que o caminho seja asfaltado, mas ele é um rally.
Por mais que eu tente prever tudo, por mais que eu tente evitar todos os acidentes, sempre pode haver algo imprevisto, improvável, impossível, imponderável e tantos outros “im”s que causarão alguns estragos.
Posso me cercar de todos os cuidados, de todas as atenções. Posso mesmo cercar de cuidados e atenções as pessoas que amo e demais entes queridos, mas sempre pode acontecer algo indesejável.
É impossível cuidar de tudo, é impossível evitar tudo. Pode cair uma chuva num dia de praia, pode chegar um tornado durante a viagem ao campo, pode cair um meteoro na hora de dizer “eu te amo”.
E pode simplesmente haver um mal entendido, uma palavra solta, um olhar mal explicado, um recado na secretária eletrônica, uma buzinada no trânsito. De uma hora pra outra os ânimos podem mudar.
A gente quer que a vida seja perfeita e sem saltos, mas ela é cheia de surpresas. A gente quer que o caminho seja asfaltado, mas ele é um rally.
28 abril 2008
O que você faz pra mudar o que não aprova? - II
JJ Trellez fez um comentário sobre o post abaixo que merece maior destaque, ou seja, deve ser citado na página principal e, por isso, resolvi transformá-lo em uma nova postagem.
Isso nem é tanto pelo fato de concordar inteiramente com ele, mas pela argumentação consistente. Se tivesse opinião contrária à minha e mantivesse o raciocínio lógico, seria publicado também. (Se bem que o raciocínio lógico sempre nos levará para as conclusões apontadas).
A classe média, única interessada a fazer algo para mudar o status quo, não tem tempo para isso. Precisa trabalhar, estudar, pagar contas, criar os filhos, cuidar dos pais idosos...
Espero que haja tempo, 5 minutos por dia, ao menos, para que a classe média tente mudar o que pode, para sua própria sobrevivência. Antes que seja tarde...
Isso nem é tanto pelo fato de concordar inteiramente com ele, mas pela argumentação consistente. Se tivesse opinião contrária à minha e mantivesse o raciocínio lógico, seria publicado também. (Se bem que o raciocínio lógico sempre nos levará para as conclusões apontadas).
A classe média, única interessada a fazer algo para mudar o status quo, não tem tempo para isso. Precisa trabalhar, estudar, pagar contas, criar os filhos, cuidar dos pais idosos...
Espero que haja tempo, 5 minutos por dia, ao menos, para que a classe média tente mudar o que pode, para sua própria sobrevivência. Antes que seja tarde...
Pelo que se pode compreender do texto [O que você faz para mudar o que não aprova?], existem:
- Uma minoria que vive das regalias que o sistema lhe dá, não precisa que nada mude.
- Uma imensa massa de manobra, ‘dopada’ por assistencialismos e falsos benefícios.
- Uma classe média, achatada e arrochada, por uma economia presa ao capital especulativo, ou seja, volátil, impostos sufocantes e, para completar, tolhida de liberdade de expressão.
Mas o que fazer?
A 1ª categoria detem a maior parte do capital e o poder político (além de ir a Miami e a NY fazer compras regularmente), não quer mudar.
A 2ª categoria listada, que é a grande maioria da população, não quer mudar, ja que é facilmente manipulada pela 1ª, ainda que pense o contrário, pois age com rancor e ódio, ao ver que não possui o que a classe social imediatamente superior possui (e a culpa por isso, não por sua própria inaptidão e despreparo).
E quem é essa outra classe? Sim, é a classe média, que paga colégio, paga plano médico, que paga pedágio, que paga IOF, que paga inteira no cinema, enfim, que tudo paga e nada recebe do Estado.
(Aliás, a festa das carteiras de estudante fraudulentas é mais um ‘benefício’ que os estudantes, aqueles que deveriam ser mais conscientes, fazem-se de coitados para recebê-lo, ao invés de rechaçar tal suborno para ver cinema enlatado e de baixa qualidade).
Falta cobrar? Sim, falta. Mas quando? Esta classe precisa se preocupar em trabalhar, em empreender, em vencer impostos e custos altíssimos, não lhe resta tempo, tampouco energia para reivindicar.
E a quem restaria tal tempo e tal energia? Ao que não lhes interessa mudar o status quo da nação, vejam só!
Ciclo vicioso? Sim. País viciado? Talvez. Ou seria somente a vocação de uma terra, a de ser meramente explorada e espoliada, é “tirar pau-brasil e levar pra Europa”, é vender suco de laranja para os “States” e beber suco Del Valle embalado a vácuo, vindo do México (filial de língua asteca dos próprios “States”, que vive o mesmo dilema tupiniquim) ao triplo do preço.
Esta terra “deitada eternamente em berço esplêndido”, só vai acordar quando esta mesma classe média extinguir-se, ou por falência do próprio sistema ou por desistência, ao imigrarem para países socialmente mais equilibrados, como Canadá e Austrália.
E, sinceramente, quando chegarmos a este ponto, já será tarde, tarde demais.
18 abril 2008
O que você faz pra mudar o que não aprova?
Achei isso no excelente blog “Quando o Brasil me tira o sono” :
Quando a classe baixa se sente prejudicada... Não, ela não se sente prejudicada pois está recebendo a bolsa-esmola viciante. Enquanto ganhar a dose mensal dessa cocaína do caráter, não se rebelará contra o traficante.
Resta a classe-média, que além de não receber nem a bolsa-esmola, nem a bolsa-BNDES, é o único setor da sociedade capaz de perceber os erros estruturais. Mas ela não se move!
Deixa eu ser mais claro: VOCÊ NÃO SE MOVE!
O link pra matéria toda está aqui.
O preocupante é que há um corpo-mole da classe média para fazer oposição a Lula e ao PT. Obviamente ela não está satisfeita com o governo (e não só porque ele não a atende, mas porque ela é o único setor da sociedade capaz de perceber os erros estruturais, já que é a menos dependente do estado), e no entanto não se movimenta, não faz barulho, não se manifesta, não diz o que pensa.Pois é... Quando a classe alta se sente prejudicada (geralmente quando não recebe algum empréstimo a juros baixos de um banco estatal), corre aos parlamentares ou aos governantes e faz pressão através de loobies (ou algo menos publicável).
Quando a classe baixa se sente prejudicada... Não, ela não se sente prejudicada pois está recebendo a bolsa-esmola viciante. Enquanto ganhar a dose mensal dessa cocaína do caráter, não se rebelará contra o traficante.
Resta a classe-média, que além de não receber nem a bolsa-esmola, nem a bolsa-BNDES, é o único setor da sociedade capaz de perceber os erros estruturais. Mas ela não se move!
Deixa eu ser mais claro: VOCÊ NÃO SE MOVE!
O link pra matéria toda está aqui.
14 abril 2008
Sobre certas coisas politicamente corretas - II
“Arrobaram” a língua portuguesa...
Outro dia me vi surpreendido por um texto no qual li “prezad@s coleg@s”. Primeiro imaginei o que seria aquilo... Um A com estilo? Um erro de digitação?
Uma amiga me contou que era um forma de tratar indistintivamente homens e mulheres. De acordo com a teoria, “amig@s” seria ao mesmo tempo “amigos” e “amigas”.
Achei a idéia tão estapafúrdia que resolvi nem citar a mensagem inicial: “car@s coleg@s” seria então o nascimento da expressão “caros colegos”? Haveria no futuro “@s integrant@s”?
Outra dúvida era como ler uma epressão como “prezad@s coleg@s”. Eu leria “prezadarrobas colegarrobas”?
Quanta idiotice! A palavra “amigos” pode muito bem englobar homens e mulheres, tanto que não há erro em dizer ou escrever “Clara é meu melhor amigo”. Fica feio, mas não errado. Outro exemplo: “Ana é o melhor aluno da turma”.
Se eu disser que ela é a melhor aluna, falo só das mulheres. Mas, querendo falar só dos homens, preciso particularizar de alguma forma e isso prova que “aluno” sozinho não se refere só aos homens. “Marcos é o melhor aluno entre os homens.”
Outro dia me vi surpreendido por um texto no qual li “prezad@s coleg@s”. Primeiro imaginei o que seria aquilo... Um A com estilo? Um erro de digitação?
Uma amiga me contou que era um forma de tratar indistintivamente homens e mulheres. De acordo com a teoria, “amig@s” seria ao mesmo tempo “amigos” e “amigas”.
Achei a idéia tão estapafúrdia que resolvi nem citar a mensagem inicial: “car@s coleg@s” seria então o nascimento da expressão “caros colegos”? Haveria no futuro “@s integrant@s”?
Outra dúvida era como ler uma epressão como “prezad@s coleg@s”. Eu leria “prezadarrobas colegarrobas”?
Quanta idiotice! A palavra “amigos” pode muito bem englobar homens e mulheres, tanto que não há erro em dizer ou escrever “Clara é meu melhor amigo”. Fica feio, mas não errado. Outro exemplo: “Ana é o melhor aluno da turma”.
Se eu disser que ela é a melhor aluna, falo só das mulheres. Mas, querendo falar só dos homens, preciso particularizar de alguma forma e isso prova que “aluno” sozinho não se refere só aos homens. “Marcos é o melhor aluno entre os homens.”
Sobre certas coisas politicamente corretas - I
Afro-descendente... Como respeitar um afro-descendente? Não há meios... Dá pra respeitar um negro, um preto, um mulato...
Afro-descendente é um termo de quem tem vergonha da própria cor, de quem tem vergonha de sua bagagem cultural brasileira e busca numa fictícia mãe África as razões do seu orgulho.
A África não é mãe dos nossos negros. No máximo é bisavó. A identidade cultural do negro brasileiro é riquíssima e foi criada e modificada quase que completamente no Brasil. para ficar nos exemplos mais comuns: a capoeira foi inventada no Brasil, na senzala. O candomblé foi a combinação dos cultos africanos com o catolicismo do europeu, mistura genuinamente brasileira. A feijoada, invenção brasileira. O samba... Se você for à África, a todos os países africanos, não encontrará nada parecido com a capoeira, o candomblé, a feijoada ou o samba.
Talvez seja diferente na América Central ou nos Estados Unidos. Talvez lá os negros tenham conservado a cultura de seu país (e tribo) de origem. Mas não no Brasil. Aqui os negros fizeram como todos os brasileiros fazem, misturando, mesclando e assim inovando. Não começamos isso com o Movimento Antropofágico (da Semana de Arte Moderna de 1922). Começamos isso misturando luta com dança, Maria com Yemanjá, feijão com orelha de porco e muito ritmo.
É ridículo querer parecer um embaixador de algum país africano ou soberano de alguma tribo perdida. É renunciar à própria cultura (belíssima) trocando-a por uma que não lhe pertence. É ter vergonha de si mesmo. É ser colonizado. É ser preconceituoso contra si próprio.
Meu negro, se alguém disser que você é afro-descendente, pode ter certeza de que ele quer roubar sua identidade. Dê-lhe um pisão no pé e diga bem alto:
_ Afro-descendente, não! Eu sou um negro brasileiro e tenho orgulho disso!
Afro-descendente é um termo de quem tem vergonha da própria cor, de quem tem vergonha de sua bagagem cultural brasileira e busca numa fictícia mãe África as razões do seu orgulho.
A África não é mãe dos nossos negros. No máximo é bisavó. A identidade cultural do negro brasileiro é riquíssima e foi criada e modificada quase que completamente no Brasil. para ficar nos exemplos mais comuns: a capoeira foi inventada no Brasil, na senzala. O candomblé foi a combinação dos cultos africanos com o catolicismo do europeu, mistura genuinamente brasileira. A feijoada, invenção brasileira. O samba... Se você for à África, a todos os países africanos, não encontrará nada parecido com a capoeira, o candomblé, a feijoada ou o samba.
Talvez seja diferente na América Central ou nos Estados Unidos. Talvez lá os negros tenham conservado a cultura de seu país (e tribo) de origem. Mas não no Brasil. Aqui os negros fizeram como todos os brasileiros fazem, misturando, mesclando e assim inovando. Não começamos isso com o Movimento Antropofágico (da Semana de Arte Moderna de 1922). Começamos isso misturando luta com dança, Maria com Yemanjá, feijão com orelha de porco e muito ritmo.
É ridículo querer parecer um embaixador de algum país africano ou soberano de alguma tribo perdida. É renunciar à própria cultura (belíssima) trocando-a por uma que não lhe pertence. É ter vergonha de si mesmo. É ser colonizado. É ser preconceituoso contra si próprio.
Meu negro, se alguém disser que você é afro-descendente, pode ter certeza de que ele quer roubar sua identidade. Dê-lhe um pisão no pé e diga bem alto:
_ Afro-descendente, não! Eu sou um negro brasileiro e tenho orgulho disso!
22 março 2008
Imaturidade
Já falei desse assunto uma vez aqui no blog em Casais Imaturos. Essa semana mais uma mensagem no celular do tipo “não me ligue mais”...
Algumas pessoas não cansam de me decepcionar.
Algumas pessoas não cansam de me decepcionar.
14 março 2008
Traição
Acabo de jogar fora dois textos prontos, por não gostar. Pior do que isso, eu não concordava com nenhum deles. Comecei com uma idéia e o raciocínio desenvolvido provou algo com que não concordo.
Odeio esses dias. Após vários dias sem inspiração, sem conseguir captar as idéias no ar, hoje elas me pregam essa peça: estão todas com a polaridade invertida.
A inspiração é algo um tanto irônico. Tem dias em que acordo no meio da noite e escrevo um texto inteiro. No dia seguinte, para publicar, basta corrigir alguns erros de português e tentar decifrar aquela palavra que o sono deixou meio mal desenhada no fim da página.
Já tive dias em que precisava parar de escrever porque, bem, era tarde e eu precisava dormir. Já desci do ônibus antes do ponto correto porque precisava de um papel e uma caneta e ninguém tinha, e corri a uma papelaria.
Já escrevi um texto completo no verso do caderno de provas de um vestibular (mesmo sabendo que jamais poderia levá-lo pra casa), só pra não deixar a idéia sem registro. (A propósito, perdi tempo na resolução da prova pra fazer isso, mas fui aprovado).
Mas também já rabisquei “palavras-chaves” no papel para depois desenvolver o texto e no outro dia não me lembrava. Uma dessas vezes eu juro que tinha um tratado internacional prontinho pra garantir a paz no Oriente Médio. (Bem, talvez não tanto...)
Já fiquei dias e dias sem conseguir escrever uma letra. Já tive branco na hora de expressar uma idéia, já usei palavras erradas, já fiquei sem palavras. Já coloquei uma palavra em francês porque não lembrava a tradução, já fiquei calado porque não queria dar minha opinião.
Mas hoje foi a primeira vez que elas me traíram. Fizeram-me escrever coisas com a quais não concordo, puxaram meu raciocínio para o lado oposto e tentaram me confundir a mente. Pois bem, foram pro lixo!
Odeio esses dias. Após vários dias sem inspiração, sem conseguir captar as idéias no ar, hoje elas me pregam essa peça: estão todas com a polaridade invertida.
A inspiração é algo um tanto irônico. Tem dias em que acordo no meio da noite e escrevo um texto inteiro. No dia seguinte, para publicar, basta corrigir alguns erros de português e tentar decifrar aquela palavra que o sono deixou meio mal desenhada no fim da página.
Já tive dias em que precisava parar de escrever porque, bem, era tarde e eu precisava dormir. Já desci do ônibus antes do ponto correto porque precisava de um papel e uma caneta e ninguém tinha, e corri a uma papelaria.
Já escrevi um texto completo no verso do caderno de provas de um vestibular (mesmo sabendo que jamais poderia levá-lo pra casa), só pra não deixar a idéia sem registro. (A propósito, perdi tempo na resolução da prova pra fazer isso, mas fui aprovado).
Mas também já rabisquei “palavras-chaves” no papel para depois desenvolver o texto e no outro dia não me lembrava. Uma dessas vezes eu juro que tinha um tratado internacional prontinho pra garantir a paz no Oriente Médio. (Bem, talvez não tanto...)
Já fiquei dias e dias sem conseguir escrever uma letra. Já tive branco na hora de expressar uma idéia, já usei palavras erradas, já fiquei sem palavras. Já coloquei uma palavra em francês porque não lembrava a tradução, já fiquei calado porque não queria dar minha opinião.
Mas hoje foi a primeira vez que elas me traíram. Fizeram-me escrever coisas com a quais não concordo, puxaram meu raciocínio para o lado oposto e tentaram me confundir a mente. Pois bem, foram pro lixo!
21 fevereiro 2008
Ex-pressões Pô Pulares - Pérolas
Esse texto tenho que publicar. Um pouco de humor faz bem... Veja as expressões abaixo. Conhece outras?
Ex-pressões Pô Pulares - Pérolas
Existem algumas expressões transformadas pela "sabedoria" popular que ficam muito, muito mais engraçadas que os termos originais.
Ex-pressões Pô Pulares - Pérolas
Existem algumas expressões transformadas pela "sabedoria" popular que ficam muito, muito mais engraçadas que os termos originais.
- Libras estrelinhas: chamar a moeda britânica de esterlina não tem o menor charme, sejamos honestos. Estrelinhas deixam o dinheiro bem mais meigo.
- Chuva de granito: cubra sua casa hoje mesmo com chapas de aço! Porque, se a chuva deixar de trazer granizo para lançar pedras duras do céu, estamos lascados.
- Trocar o fuzil: quando a luz apaga em toda a residência, pode ser um fusível queimado, e é só arrumar um novo. Mas se tem gente que prefere colocar armas de fogo no jogo, fique atento.
- Larva de vulcão: É uma expressão divertida, mas bem nojenta de imaginar. Em vez de vulcão expelir lava, ele soltaria vermes para todo lado. Credo!
- Casa germinada: Olhando para sobrados vizinhos, ninguém diria que eles nasceram de uma semente. Sim, porque é desse jeito que alguns chamam as casas geminadas, não é?
- Poção de fritas: Está certo, algumas pessoas fazem mágica na cozinha. Mas nós queremos conhecer esse mestre-cuca que prepara uma porção de batata frita na base da feitiçaria.
- Nervo asiático: Que dor no ciático, que nada! Os nervos deviam mesmo ser denominados segundo sua posição geográfica. “Torceu o pé? Xiii, vai doer o nervo antártico”.
- Assustar o cheque: É um clássico, não? Quem liga para sustar as folhas do talão? Nós queremos é preparar um “bu!” e pregar sustos em todos eles - até serem cancelados pelo pavor.
- Estado de goma: Saber de um doente que ficou em estado de coma não é engraçado, claro. Já ouvir que o sujeito quase virou bala é uma tentação para o riso. Desculpe, mas é.
- Vento encarnado: Levar uma rajada de vento encanado pode causar um resfriado. Mas, muito cuidado! Se o vento também vier possuído por um espírito, será bem pior!
12 fevereiro 2008
“Eu te amo” às vezes machuca
A vida muitas vezes é tão surreal!
(Mal publiquei um texto sobre mensagens de celular e vou colocar outro.)
Após várias mensagens carinhosas, entre elas:
Recebo a seguinte:
(Mal publiquei um texto sobre mensagens de celular e vou colocar outro.)
Após várias mensagens carinhosas, entre elas:
Scott, te adoro!(Errou meu nome, mas tudo bem... Geralmente as pessoas erram mesmo.)
Recebo a seguinte:
Scott se tudo der certo aqui vou tentar ir agora a noite colocar suas fotos tah? TENTAR! Hehe bjo! Te amu! . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .Fotos? Quais fotos? Ela estava falando com o Scotch errado... Seria cômico se não fosse trágico.
10 fevereiro 2008
Casais imaturos
Ano passado mandei uma mensagem pra uma pessoa no Orkut (sim, eu tinha perfil no Orkut). Simples, dizia somente “sonhei contigo na noite passada”. Não dizia ter sido sonho erótico nem nada perto disso (até por falta de motivos). Poderia ter sido até um sonho premonitório, quem sabe? O namorado dela me esculhambou, fez ela me tirar da lista de amigos e me adicionar na lista de “ignorados”.
Eu tinha pouco contato com ela. Poderia mesmo representar uma ameaça à estabilidade do casal?
Ainda em 2007, mandei uma mensagem para o celular de outra amiga, perguntando quando ela viria para minha cidade e terminava com “saudades”. Não tinha “eu te amo”, não dizia “saudades do teu beijo” nem nada assim, até porque não havia motivo. O inseguro namoradinho dela (os homens às vezes são tão imaturos) ligou de volta, me esculhambou (estou me acostumando com isso) e ela me pediu para nunca mais ligar ou passar mensagens (“ordenou” seria a palavra correta, se ela pudesse mandar em mim).
Não sei como eu poderia ameaçar o casal, morando em outra cidade e vendo a Marianna (nomes alterados para manter o anonimato) no máximo três vezes por ano...
Mas eu não aprendo mesmo. Dia 30 de janeiro foi aniversário dela e mandei a seguinte mensagem atrasada:
Não sei por que os namorados se sentem tão ameaçados por tão pouco. E chega desse assunto! Escrevi demais por pessoas que não mereciam nem uma linha.
Eu tinha pouco contato com ela. Poderia mesmo representar uma ameaça à estabilidade do casal?
Ainda em 2007, mandei uma mensagem para o celular de outra amiga, perguntando quando ela viria para minha cidade e terminava com “saudades”. Não tinha “eu te amo”, não dizia “saudades do teu beijo” nem nada assim, até porque não havia motivo. O inseguro namoradinho dela (os homens às vezes são tão imaturos) ligou de volta, me esculhambou (estou me acostumando com isso) e ela me pediu para nunca mais ligar ou passar mensagens (“ordenou” seria a palavra correta, se ela pudesse mandar em mim).
Não sei como eu poderia ameaçar o casal, morando em outra cidade e vendo a Marianna (nomes alterados para manter o anonimato) no máximo três vezes por ano...
Mas eu não aprendo mesmo. Dia 30 de janeiro foi aniversário dela e mandei a seguinte mensagem atrasada:
Marianna, meus parabéns atrasados. Lembrei no dia mas estava sem crédito. Felicidades! Scotch (vizinho)Oh! Pra quê? Quer a resposta? Dia 7 de fevereiro (ela ficou um tempão ensaiando a resposta...)
Vi tua msg. Mas p evita problema ñ me manda mais msg pq vc ja me causo problema antes mandando msg. MariannaÀs vezes a gente tem carinho por uma pessoa sem querer nada em troca, sem segundas intenções. Era o caso. Percebi que ela estava cometendo um erro, se deixando dominar por um carinha inseguro que no futuro, provavelmente, ia bater nela se sonhasse que ela sorriu pra alguém. Tentei avisar:
Nem se preocupe. Você escolhe quem são seus amigos e como age com eles. Aquela e essa são as últimas. Um dia você vai perceber o erro de cortar amigos por amores. Fica com Deus.Mas tem gente que não vê o erro que está cometendo nem se um aviso neon vermelho piscasse na frente dos olhos.
Ñ to cometendo erro algum. Só ñ qro problemas. Tchau. MariannaSe o que ela não quer é problemas com o namorado, a probabilidade é que os tenha no futuro. Se por causa de uma inocente mensagem de amizade ele a fez parar de falar comigo, imagina o que faz com eventuais amigos que ela tenha na cidade deles! E também o que poderá fazer quando (se) casarem...
Não sei por que os namorados se sentem tão ameaçados por tão pouco. E chega desse assunto! Escrevi demais por pessoas que não mereciam nem uma linha.
07 fevereiro 2008
22 janeiro 2008
Exercício de Paciência I
Tosse.
Coriza.
Febre.
Mal estar e dores no corpo.
Xarope.
Comprimido.
Chá.
Uma gripe dura sete dias.
Coriza.
Febre.
Mal estar e dores no corpo.
Xarope.
Comprimido.
Chá.
Uma gripe dura sete dias.
10 janeiro 2008
A política e os porcos
Nas conversas sobre política, inevitavelmente alguém argumenta que a esta é um jogo sujo.
A afirmação de que é um jogo mesquinho e corrupto serve apenas para afastar o homem honesto da política, gerando uma apatia que perpetua o jogo sujo estabelecido.
Entretanto são esses políticos que tomarão as decisões que dizem respeito aos aspectos mais íntimos e cotidianos da nossa vida.
Nossos pais ansiaram e lutaram pela democracia e pelo direito de participação política. Deixaremos nós, apenas uma geração após, que todo o legado de luta e conquistas seja jogado no lixo, ou dizendo melhor, seja atirado aos porcos?
Se os maus tomam conta da política é por causa do silêncio dos bons. Para que o mal triunfe, basta que o bem se omita?
Se a política é suja, é porque deixamos os porcos sozinhos cuidando dela.
A afirmação de que é um jogo mesquinho e corrupto serve apenas para afastar o homem honesto da política, gerando uma apatia que perpetua o jogo sujo estabelecido.
Entretanto são esses políticos que tomarão as decisões que dizem respeito aos aspectos mais íntimos e cotidianos da nossa vida.
Nossos pais ansiaram e lutaram pela democracia e pelo direito de participação política. Deixaremos nós, apenas uma geração após, que todo o legado de luta e conquistas seja jogado no lixo, ou dizendo melhor, seja atirado aos porcos?
Se os maus tomam conta da política é por causa do silêncio dos bons. Para que o mal triunfe, basta que o bem se omita?
Se a política é suja, é porque deixamos os porcos sozinhos cuidando dela.
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