20 março 2013

Enquanto isto, no sushi bar...


“Não consigo compreender
teu sorriso na chegada,
teu abraço na partida
e teu silêncio entre ambos.

Me ajuda a te entender
Quem sabe assim eu durma em paz”

18 outubro 2012

A rosa no deserto

Há várias noites sonho com uma rosa. Não é uma rosa qualquer, nem tampouco a de O Pequeno Príncipe. (Essa talvez seja mais relacionada a outro Príncipe, o de Maquiavel). A rosa do meu sonho é onipresente.

E é também única, a única coisa num deserto gigantesco. Areia, areia, areia. E uma rosa! Monolítica e monocromática, surgida do nada. Mas não foi sempre assim.

Na primeira noite em que sonhei com a rosa, era uma rosa belíssima, de cor maravilhosa e agradabilíssimo aroma. Na segunda noite a rosa começou a perder o cheiro, a cor e a forma. Durante várias noites olhei atenciosamente aquilo que havia sido a rosa, na esperança de que ela voltasse a ser a bela flor da primeira noite. Em vão.

Nas noites seguintes, a rosa parecia me perseguir e adivinhar o que eu ia fazer. Sei que vai parecer loucura, mas ela se tornou onipresente e onisciente! Em vão tentei fugir dela, desviar o olhar, ignorar. Impossível. Pra onde quer que eu olhasse, lá estava aquela terrível rosa fria.

Tentei correr, mas assim que ela desaparecia do alcance da visão atrás de mim, ressurgia à minha frente, como se fossem várias (mas sei que era somente uma). Odeio o monstro que essa rosa se tornou. Tentei pisar, mas assim que levanto o pé do chão ela reaparece. Tentei cortar, mas noite após noite ela desafia a lâmina, ressurgindo. Tentei cortar o caule, mas ela é intangível à minha mão. Inatingível.

Não sei se ainda quero dormir.

Em 2004 eu sonhei com a rosa no deserto algumas vezes e fiz o desenho que ilustra esta postagem (sim, sei que é um desenho tosco). Em 2008 o sonho se repetiu outras vezes e escrevi o texto acima. A figura é de 6 de janeiro de 2004 e o texto é de 10 de março de 2008.

19 julho 2012

A fé dos ateus


Admiro a fé dos ateus. É infinitamente mais fácil acreditar que um ser superior existe e criou tudo o que vemos. “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem” (Hebreus 11:1) e eu não vejo como uma explosão - algo destruidor - possa ter criado tantas maravilhas.

De igual modo, não tenho fé para acreditar na explicação para a origem da vida:

A Terra era quente e sua atmosfera não tinha oxigênio. Os raios ultravioleta penetravam na atmosfera livremente. Flutuando nos oceanos ou em algum lago, moléculas inorgânicas foram atingidas por raios de tempestade e deram origem a compostos orgânicos que depois se juntaram formando uma célula que pode se reproduzir.


Pois bem, dois químicos americanos, Harold C.Urey e Stanley Miller, decidiram testar a hipótese Oparin-Haldane e em 1953 fizeram um experimento (mais detalhes aqui) utilizando compostos inorgânicos. Após uma semana, obtiveram resultados impressionantes: os compostos químicos orgânicos eram abundantes no líquido resfriado, com a presença de vários aminoácidos. Urey e Miller concluíram que as moléculas orgânicas poderiam se formar em uma atmosfera livre de oxigênio e que as condições para o surgimento da forma de vida mais simples não estaria longe.

Depois desta descoberta impressionante, o que fizeram? Desligaram o experimento?! Fico imaginando se de 1953 até hoje nenhum químico pensou em levar adiante o experimento até criar um ser vivo de verdade, um protozoário ou uma ameba, que fosse capaz de se reproduzir ainda que por divisão celular. Seria o Nobel de Química de todos os tempos! E olhe que “não estaria longe”!

“E se esta forma de vida fosse imprevisível e altamente perigosa?” - alguém pode perguntar. Este mesmo risco havia na clonagem e nunca impediu que se fizessem vários clones desde a ovelha Dolly. Ademais, algumas pesquisas criam propositalmente seres imprevisíveis, como o rato com orelha humana, cabras com genes de aranhas e mosquitos com olhos fluorescentes (estes dois podem ser vistos aqui). Ou talvez os cientistas estejam sempre tentando mas haja uma força sobrenatural os impedindo...

(Este é só um caso, existem várias outras contestações às teorias de origem da vida e ao evolucionismo que podem ser vistas em www.criacionismo.com.br.)

Assim, embora desprovidos de qualquer comprovação, continuam acreditando no improvável (pra não dizer impossível). Quanto a mim, eu acredito em Deus pois minha fé não é tão grande.



Admiro a perseverança dos ateus. Eu acredito que há um paraíso preparado para mim, acredito que “na casa de meu Pai há muitas moradas” (João 14:2), e com esta certeza a minha vida tem mais sentido. Posso ou não ir para este paraíso mas já nesta vida me sinto melhor: esperançoso, reconfortado e fortalecido. Os ateus acreditam que após a morte só há decomposição. Não há esperança de dias melhores e talvez nem haja sentido viver.

No fundo, acreditar em Deus - ou em um deus - é mais vantajoso por vários motivos. O principal deles é que se eu estiver certo (Deus existe), tenho chance de ir morar com Ele nas mansões celestiais, se for digno de ir. Se eu estiver errado, nada ganho e nada perco. Se o ateu estiver certo, ganhará esta “aposta” de mim (mas nem poderá cobrar, já que estaremos ambos decompostos para sempre). Se ele estiver errado... Bem, neste caso ele provavelmente estará se decompondo e eu lamentarei por ele.

Assim, ser ateu exige uma perseverança infinita, como a de um homem que escala uma montanha sabendo (acreditando tão fortemente que acredita que sabe) que não há nada no topo, só o abismo para se lançar. Quanto a mim, eu persevero em Deus pois minha força de vontade não é tão grande.



Admiro a credulidade dos ateus, ignorando a própria segunda lei da termodinâmica, que diz que todo sistema tende ao caos, e afirmando que os seres vivos mais organizados vieram dos mais simples. Eu creio que “no princípio criou Deus os céus e a terra.” (Gênesis 1:1).

Chega a ser ridícula a incoerência de tantos soi-disant cientistas ao afirmarem que o universo surgiu de uma explosão, que a vida originou-se da matéria inanimada e que todos os seres descendem de um mesmo ancestral comum, ao passo em que parecem ignorar que a segunda lei da termodinâmica diz que “A quantidade de entropia de qualquer sistema isolado termodinamicamente tende a incrementar-se com o tempo, até alcançar um valor máximo” ou - em bom português - todo sistema tende ao caos.

Há quem diga que este argumento não é válido, pois não se situa no campo científico, por ser uma hipótese não falseável (todos os argumentos científicos devem ser falseáveis, ou seja, em princípio deve ser possível fazer uma observação ou realizar uma experiência física que tente mostrar que essa asserção é falsa). 
 
Pergunto então se o Big Bang e a evolução de uma espécie em outra podem ser provados por observação ou experiência de laboratório. Quantos universos foram criados nos laboratórios? Quantas espécies evoluídas na frente de cientistas? São igualmente hipóteses não falseáveis, entretanto os cientistas ateus nelas acreditam!
 
E quanto à criação da vida? Urey e Miller não provaram hipótese de hipótese Oparin-Haldane, nem ninguém até hoje nestes 60 anos! E olhe que seria a maior descoberta científica de todos os tempos!

Sobre a evolução das espécies, onde estão os milhares de fósseis dos elos entre as espécies que foram previstos por Darwin? O que temos são, quando muito, pedaços de ossos dos quais os cientistas (melhor seria dizer romancistas, ficcionistas ou roteiristas) deduzem o que bem querem, desde o tamanho e aparência até os hábitos de vida e a “evolução”, como por exemplo aqui.

Assim, os ateus acreditam no que querem acreditar, selecionando estes ou aqueles argumentos como bem lhe convêm, escolhendo os fatos que se adaptem às suas teorias e não o contrário. Quanto a mim, eu creio em Deus pois minha imaginação não é tão grande.




Queria ter a fé, a perseverança e a credulidade dos ateus. Seria assim um cristão bem melhor.

Update:
Procurando imagens pra esta postagem, encontrei uma figura que dizia: “Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suar crenças não se baseiam em evidências. Baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar.”
Sério... Quem é aquele cujas crenças não se baseiam em evidências? E quem possui a profunda necessidade de acreditar?

07 maio 2012

Querida Lysia

Querida Lysia,

você mudou. Mudou tanto e tão rapidamente que duvida da própria mudança e sinceramente acredita que foi sempre assim.
Você era calma e carinhosa, estava feliz com o que tinha e espalhava felicidade, mas bastou um dia em outra cidade para um treinamento admissional – não sei se foi o novo emprego, um colega de trabalho ou uma palestra “motivacional” (sei bem o que muitas querem nos motivar a fazer) – e naquela noite você já era diferente. Tornara-se ambiciosa e materialista.
Nada mais satisfazia você, Lysia. Todos os lugares a que costumava ir eram agora medíocres na sua nova ótica. Porém, como poderia frequentar lugares chiques sem dinheiro? Você passou a persegui-lo e a medir sua felicidade pelos números no contracheque. O que antes gostava de fazer se tornou um fardo. Tornou-se inconcebível pra você que seja possível ser feliz com metade do que ganha hoje, ou mesmo de graça. Mas é!
Durante um bom tempo esperei ao seu lado que voltasse a ser a pessoa amável de antes, mas era inútil, você havia trocado sua inocência pelo brilho falso das bijuterias trazidas pelo colonizador. Como diz a música “Índios”, do Legião Urbana, “nos deram espelhos e vimos um mundo doente”. A saudável menina de antes era agora uma mulher amarga, materialista e frustrada.
Lamento muito sua escolha. A busca por riquezas nunca é satisfeita, sempre se pode querer mais, (pois os números são infinitos e sempre haverá um maior do que se tem). “Quem ama o dinheiro, dele não se fartará; quem ama a riqueza, dela não tirará proveito: e isso também é vaidade.” (Eclesiastes 5,9) Sempre se quer mais, de fato. Há uma permanente insatisfação e para preencher este vazio passamos por cima de tudo o que antes nos importava. Ou de todos.
E eu estava no caminho. Demorei mais de dois anos pra perceber sua mudança e aceitar que ela é irreversível. De príncipe amado fui passando cada dia mais a ser o atalho para sua vida mais fácil: o motorista que ia buscar, o telefonista que avisava tua mãe, o cartão de crédito pro tratamento capilar.
Depois o carinho rareou e acabou. Por fim foi-se a consideração. No aniversário de namoro, o que me deste? Tão somente a não-explicação pela ausência. No teu sentir, para que se justificar a um funcionário? Era somente isto o que eu me tornara pra você.
Sei que tentará se justificar afirmando que me dava atenção, que me visitou quando estive hospitalizado, me deu presentes e que me ligava todos os dias. De fato você fez tudo isto, mas sem amor, somente por dever e gratidão a alguém que fazia muito por você. Mas não era amor, tanto é verdade que não havia beijo ou abraço, não havia “sinto saudades” ou “te amo” (exceto o burocrático no fim do telefonema, quando havia), não havia sorriso no encontro.
Tenho pena de você, pois era feliz quando lhe conheci, mas trocou seus princípios pela ambição desmedida. Se me permite ainda te dar um conselho, darei pela consideração que ainda sinto pela mulher que não mais existe: vá em frente! Não seja covarde, não receie ousar, persiga este ouro de tolo (todos os ouros são de tolo, afinal) até perceber que não vale a pena, após muito sofrimento e tempo de vida desperdiçados.
Boa sorte! Você vai precisar...

20 janeiro 2012

Estou proibido...

 
Estou proibido de sentir raiva de quem nunca está com o telefone celular ligado ou, quando está, não atende. As notícias ruins voam, logo as saberia com celular ou sem. E as boas, quando (e se) a pessoa me achar digno de saber, me ligará. Ademais, é escolha minha telefonar e é escolha dela atender e deixar o celular desligado.

Quem sou eu pra querer controlar o estado do aparelho de outra pessoa? “Ligue!” “Desligue!” “Mude o toque!” “Tire este papel de parede!” Ridículo... Se a pessoa não compra uma bateria nova ou um carregador sobressalente, talvez tenha outras prioridades em relação às compras. E se não usa, mesmo tendo, é porque não dá importância a telefones.

Pode ser que ela não queira me atender e ignora a chamada ou programa o smartphone pra bloquear quando é meu número. Eu já fiz isso com quem só me liga quando precisa. Talvez ela me veja assim. Direito dela não atender.

“Mas é preciso ter celular. E se acontece alguma coisa?” É... Vai ver que foi por isto que aconteceu a Revolução Francesa. Ninguém teve como avisar os guardas que iam tomar a Bastilha, né? (Sim, a intenção é ser irônico.) Se acontecer algo, a gente dá um jeito, nem que pra isto tenha que correr 42 quilômetros. Ou mandar um Filípides que esteja por perto correr por nós.

De qualquer forma, acontece tantas vezes de ligar e não conseguir falar que eu já sei (ou deveria saber, se tivesse mais QI que uma ameba) que a pessoa não vai atender. Se eu ligo, conscientemente corro o risco. Se é pra ter raiva, tem que ser de mim mesmo, por ter tentado mais uma vez. No mínimo, ao ligar, preciso estar preparado pra não ser atendido. Não devo sentir raiva. Estou proibido.

Estou proibido também de ter pena de quem está doente e não procura um médico. Ou de quem sofre de dor num dia, pensa até que vai morrer de tanto sofrimento, mas no dia seguinte, só porque já não dói mais, falta à consulta marcada. Por mais corrido que seja o dia, o que pode ser mais importante que ter saúde?

Mas cada um sabe onde dói, conhece sua dor. Vou cuidar das minhas e cada um que cuide das suas. Não critico mais quem adia infinitamente sua cura, é escolha sua. Mas não me peça para ter pena. Como dizia minha vó, “quem toma o mal por sua mão não merece perdão”. Tomar o mal ou evitar o bem, pra mim, dá no mesmo. Não posso ser compassivo pra quem não tem compaixão por si mesmo.

Não posso e não devo me preocupar com alguém mais do que essa pessoa mesmo se preocupa. Em outras palavras, cuido da minha vida e deixo que ela cuida da dela. Não posso sentir raiva de quem não se cuida. Estou proibido.

Dois desabafos sobre coisas que andam me chateando bastanta em pessoas que quero muito bem (e que dizem me querer bem também): dificilmente atendem minhas ligações e não se cuidam.
Desculpe-me se te chateio com estes desafogos.

24 maio 2011

Sob a luz do luar


_Você já dançou com o demônio sob a luz do luar? - perguntou o Coringa (o do Jack Nicholson) ao Batman, no filme de 1989.

_ Não (e nem quero). Mas já dancei com um anjo em uma noite de lua cheia.

30 julho 2010

Uma nova mulher

“Felizmente não era alzheimer” - diziam os amigos e ele concordava, maneando a cabeça de maneira afirmativa, mas no seu íntimo quase desejava que fosse. Talvez assim ele sofresse menos.

O que o incomodava era não reconhecer mais a própria esposa. Não era um caso de reconhecimento facial, uma amnésia, mal de alzheimer... Era algo que não tinha nome, nem explicação racional.

Tudo começou quando ela deixara de comparecer ao tradicional almoço de Páscoa na casa dos pais dele. Dias depois, ligou dizendo que chegaria mais tarde porque tinha que refazer um relatório gerencial pois o total não tinha fechado, coisa e tal. E deixou de atender alguns telefonemas dele no horário de expediente.

Claro que passou pela cabeça o medo da traição. Tentou assistir TV, mas seus olhos fixos no eletrodoméstico mostravam sua ausência. Pensou em mil possibilidades mas não fazia sentido ser traído: eram felizes em todos os sentidos, tinham uma boa situação financeira (que lhes permitia viajar de tempos em tempos), estavam sexualmente satisfeitos, mantinham a paixão acesa... E, se nada disso bastasse, eram religiosos e - pelo menos a princípio - respeitavam o mandamento de não trair.

Algum tempo passou e as coisas pareciam voltar ao normal. Um dia ele notou que ela tinha um novo aparelho celular, na verdade um smartphone. Logo ela, que não era fã de coisas hi-tech e cujos celulares tinham parcos recursos e raramente iam além do FM, MP3 e joguinho.

O pior de tudo nem foi o celular novo (isso ele até achou bom), mas o fato de ter comprado e não ter contado, compartilhado. Fingiu não notar no primeiro dia, mas terminou perguntando:

_ Celular novo?

_ É. O outro estava começando a dar problema.

_ Comprou quando?

_ Faz uns dias...

A resposta imprecisa o deixou pior do que antes. Antes achava que ela não queria contar sobre o celular, agora tinha certeza disso! A coisa piorou mais ainda quando ele descobriu que ela tinha Twitter. Não era nada escondido, já que usava o próprio nome e sobrenome. E não escrevia nada.

Mas pra que ter Twitter e não usar? Ele tinha e nunca fizera segredo disso, tinha dado o endereço a ela. Ou não? Provavelmente tinha. Certamente! E ela tinha um Twitter e não escrevia nada???!!! Só se fosse pra trocar DMs, as mensagens privativas...

Pensou em olhar cada seguidor dela e cada pessoa que ela seguia, buscando algum que parecesse suspeito. Não daria trabalho, não chegavam nem a cinquenta pessoas... Mas desistiu. Não queria desconfiar da esposa.

Algumas semanas depois quis deixar um recado no Orkut da esposa e não encontrou. Ela apagou o perfil? Procurou e terminou encontrando a página dela, sem foto e com o nome “Fechada para balanço”! E sem os depoimentos dele... Pelo menos ela deixara o estado civil inalterado. Mas o que estava acontecendo com a sua esposa?

Passou semanas tentando descobrir, sentindo cada palavra e observando cada movimento. Pensou em fazer uma planilha medindo quantos abraços, beijos e “eu te amo” ouvia, mas achou isso muito alienista, muito machadiano. E, sobretudo, muito doentio.

Continuavam aparentemente felizes em todos os sentidos, a situação financeira até melhorara, estavam planejando uma viagem a Los Angeles, continuavam satisfeitos sexualmente e a paixão continuava acesa... E ainda iam à Igreja toda semana e comungavam, o que significava - pelo menos a princípio - que ela ainda era fiel.

Certo dia não aguentou mais, perguntou a ela o que estava acontecendo. Ela disse que nada estava acontecendo, ele citou as mudanças e estranhezas. Ela disse que era bobagem, que o amava muito, que ele deixasse de caraminholas, que era sua e de mais ninguém, que pensava nele as 24 horas do dia, que falava nele pra todo mundo, que no celular... Ops! Smartphone dela só tinha fotos dele, só tinha mensagens dele e tudo o mais...

Depois começou a chorar, dizer que ele podia perguntar para a mãe dela ou ligar pra colega de trabalho, que elas iam confirmar que ela era apaixonada por ele, que não tinha olhos para mais ninguém, que o amor dele era mais do que suficiente para a felicidade completa dela.

E era verdade tudo isso o que ela dissera. Mas ela havia mudado e isso o incomodava cada dia mais. Ele tinha certeza de que não havia mudado, os amigos diziam isso e até mesmo ela confirmava que ele era o mesmo homem que um dia a pedira em namoro.

Não havia casado com ela, não com essa mulher. Algum extraterrestre a havia abduzido e tomado seu lugar. Ele não reconhecia mais a esposa (infelizmente não era alzheimer, ele pensava), não era a mulher com quem se casara, disso tinha certeza.

A mulher que ele tomou no altar era atenciosa, carinhosa e caseira. A que estava morando com ele nunca percebia se ele estava triste ou só cansado, não assistia mais TV de mãos dadas e vivia no shopping com amigas. Até no sexo mudara: agora ela, após o êxtase, virava de lado, dando as costas pra ele e dormia.

Era uma nova mulher.

E a cada dia que passava ele ficava mais determinado a abandonar essa estranha e sair pela porta à procura da mulher que conhecia, com quem namorou e casou.